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Dermatologia30 julho 2026

Qual impacto o tratamento da psoríase na depressão e no risco de suicídio?

Revisão avaliou o impacto dos tratamentos para psoríase na depressão e na ideação suicida em pacientes afetados

A psoríase é uma doença inflamatória crônica associada a importante impacto físico e psicossocial, com maior prevalência da depressão e ideação suicida em comparação à população em geral.

Diante dessa associação, os autores de uma revisão sistemática tiveram por objetivo avaliar o impacto dos diferentes tratamentos da psoríase sobre sintomas depressivos e risco de suicídio, investigando se a melhora clínica da doença cutânea se traduz em benefícios para a saúde mental e se determinadas terapias poderiam estar relacionadas ao surgimento de eventos psiquiátricos.

Qual impacto o tratamento da psoríase na depressão e no risco de suicídio?

Métodos utilizados

A revisão foi conduzida conforme as recomendações do PRISMA e registrada no PROSPERO. Foram pesquisadas as bases do PubMed, Scopus, Web of Science e Google Scholar até 30 de setembro de 2024, sem restrição quanto ao ano de publicação. Foram incluídos estudos originais em inglês envolvendo adultos com psoríase tratados por terapias tópicas, sistêmicas ou biológicas, que avaliassem desfechos relacionados à depressão ou suicídio.

Principais achados

Os resultados demonstraram que as terapias biológicas foram as mais investigadas e, de modo geral, estiveram associadas à redução dos sintomas depressivos paralelamente à melhora da atividade da psoríase. Guselcumabe apresentou melhora significativa do escores de depressão e do PASI em comparação ao placebo, enquanto bimequizumabe e outros biológicos mostraram manutenção de baixas taxas de depressão durante o seguimento.

Estudos comparativos também indicaram menor incidência de transtornos psiquiátricos entre pacientes tratados com biológicos em relação ao metotrexato e às terapias sistêmicas convencionais. Embora a fototerapia e os tratamentos sistêmicos orais também tenham proporcionado melhora clínica da psoríase, os benefícios sobre os desfechos psiquiátricos foram menos consistentes.

Em relação à ideação suicida, os achados foram variados. O brodalumabe concentrou a maior atenção devido ao alerta de segurança já existente, porém os estudos revisados não estabeleceram relação causal entre seu uso e aumento do risco de suicídio.

Durante cinco anos de farmacovigilância, não foram registrados suicídios consumados e a incidência de tentativas permaneceu baixa. O bimequizumabe apresentou frequência de ideação semelhante à observada em outras terapias biológicas e a própria população com psoríase. Os autores ressaltam que sinais provenientes de estudos de farmacovigilância devem ser interpretados com cautela, pois não demonstram causalidade e podem refletir características da população tratada e vieses de notificação.

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Discussão e mensagem prática

Os autores discutem que a melhora dos sintomas depressivos provavelmente resulta de múltiplos mecanismos, incluindo a redução da inflamação sistêmica, melhora das lesões e o impacto positivo sobre autoestima e qualidade de vida. Também destacam que a inflamação característica da psoríase é mediada por citocinas como IL-1, IL-6 e TNF-α, as quais também têm sido envolvidas na fisiopatologia da depressão, sugerindo uma possível inter-relação biológica entre as condições.

Entretanto, permanece um desafio determinar quanto da melhora psicológica pode ser atribuída diretamente ao bloqueio das vias inflamatórias ou resultante da remissão clínica da doença cutânea.

A revisão indica que os tratamentos biológicos, principalmente os da via IL-17 e IL-23 apresentam as evidências mais consistentes de melhora dos sintomas depressivos nos pacientes com psoríase, sem demonstração de aumento comprovado do risco de suicídio.

Em pacientes com histórico de depressão, ideação suicida ou outras comorbidades psiquiátricas, é recomendada avaliação e rastreio com acompanhamento conjunto entre dermatologistas e profissionais da saúde mental, integrando os aspectos cutâneos e psicológicos da doença.

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Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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