A cicatriz hipertrófica representa uma complicação da cicatrização cutânea, que consiste em espessamento restrito aos limites da lesão, podendo causar sintomas como dor, prurido além de importante impacto psicossocial. Embora os géis de silicone sejam considerados tratamento não invasivo de primeira linha, ainda existem lacunas quanto à sua superioridade em relação ao demais tratamentos.
Os autores realizaram uma revisão sistemática com metanálise para avaliar a eficácia e a segurança dos géis de silicone fluidos (GSF) na prevenção e no tratamento de cicatrizes hipertróficas, comparando-os com placebo, ausência de tratamento, placas de silicone e outras modalidades convencionais.
O estudo foi conduzido conforme as diretrizes PRISMA e foi registrado previamente no PROSPERO. As bases utilizadas para pesquisa foram OVID Medline, Embase, CINAHL e Cochrane Library até julho de 2024, sendo incluídos exclusivamente ensaios clínicos randomizados com seguimento mínimo de 2 meses. Ao final, 35 estudos, envolvendo 2.197 pacientes foram incluídos na revisão sistemática, dos quais 20 compuseram a metanálise, totalizando 890 pacientes e mais de 1100 áreas cicatriciais avaliadas.

Géis de silicone fluido mostram superioridade em relação ao placebo
Na metanálise os géis de silicone fluidos demonstraram superioridade em relação ao placebo na melhora da maleabilidade, pigmentação e altura da cicatriz, sem benefício significativo sobre a vascularização. Quando comparados a outros tratamentos convencionais, incluindo placas de silicone, os GSF apresentaram eficácia global semelhante.
Os autores alegam que os resultados reforçaram as evidências prévias de que os géis de silicone fluido atuam principalmente na melhora da textura, da espessura e da pigmentação das cicatrizes, sugerindo que o mecanismo de ação esteja mais relacionado ao remodelamento cicatricial do que à modulação dos eventos vasculares da cicatrização. A melhora observada nas cicatrizes cirúrgicas pode estar relacionada à maior padronização dessas feridas e ao menor número de fatores de confusão quando comparadas às cicatrizes por queimaduras ou outros mecanismos traumáticos. Além disso, os autores também reforçaram que os GSF possuem vantagens práticas em relação às placas de silicone, como melhor aceitação estética, facilidade de aplicação e menor risco de maceração.
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Como o gel de silicone fluido atua na cicatriz hipertrófica
Os eventos adversos foram pouco frequentes e geralmente leves, incluindo irritação local, prurido, pústulas e infecção secundária. A incidência global desses eventos foi inferior no grupo tratado com gel de silicone fluido quando comparada aos controles. Os autores também destacaram que muitos estudos apresentaram limitações metodológicas e heterogeneidade significativa. Além de diferentes protocolos de tratamento, tipos de cicatriz e medidas de desfecho, o que dificultou comparações diretas entre os trabalhos.
Segurança e efeitos colaterais do tratamento com silicone fluido
Os autores concluem que os géis de silicone fluidos consistem em uma opção não invasiva, segura e eficaz para a prevenção e o tratamento de cicatrizes hipertróficas, apresentando benefício em relação ao placebo e eficácia comparável às placas de silicone e à maioria dos tratamentos convencionais. Apesar disso, ressaltam que ainda são necessários mais estudos com maior qualidade metodológica e protocolos padronizados para definir com maior precisão o papel dos GSF no tratamento das cicatrizes hipertróficas.
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Autoria

Marselle Codeço Barreto
Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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