A microscopia confocal por reflectância (MCR) representa uma técnica de imagem não invasiva que avalia a pele em tempo real. Possui utilidade bem estabelecida na avaliação de tumores melanocíticos e não melanocíticos, assim como em condições inflamatórias. A MCR reduz a necessidade de biópsias de pele e permite monitorar a resposta dinâmica ao tratamento de diversas condições, o que é especialmente relevante na população pediátrica, onde minimizar o desconforto, os procedimentos dolorosos e traumáticos, bem como potenciais cicatrizes é extremamente importante.
Considerando a escassez de evidências específicas para a população pediátrica, esta revisão sistemática teve como objetivo sintetizar as aplicações clínicas da MCR em pacientes com até 18 anos de idade, com ênfase no diagnóstico, diagnóstico diferencial e monitoramento terapêutico das principais doenças dermatológicas.

Metodologia da revisão sistemática sobre a MCR
A revisão foi conduzida conforme as recomendações do PRISMA e registrada no PROSPERO. Foram pesquisadas as bases MEDLINE e Web of Science, incluindo estudos originais, estudos observacionais, séries de casos e relatos de caso que utilizaram MCR em pacientes pediátricos. Setenta e três estudos atenderam aos critérios de inclusão, que foram classificados em quatro grupos de condições: lesões neoplásicas e relacionadas; anomalias congênitas; doenças inflamatórias; e infecções/infestações. Devido à heterogeneidade metodológica entre os trabalhos, foi realizada síntese narrativa dos resultados, além de avaliação do risco de viés dos estudos observacionais.
Eficácia no diagnóstico de doenças dermatológicas na infância
A MCR demonstrou utilidade no diagnóstico não invasivo, na diferenciação entre condições clinicamente semelhantes e no acompanhamento longitudinal de lesões melanocíticas, distúrbios pigmentares congênitos, líquen escleroso, vitiligo, acne, molusco contagioso, verruga plana, dermatofitoses e escabiose. Em áreas anatômicas sensíveis, como a região genital, a técnica apresentou potencial para reduzir a necessidade de procedimentos invasivos.
Na discussão, os autores ressaltam que a MCR fornece imagens com elevada resolução, comparáveis às obtidas por exame histológico, favorecendo a avaliação diagnóstica e o seguimento clínico em crianças. Nos nevos melanocíticos, a técnica mostrou-se útil para o monitoramento de lesões benignas, diferenciação entre nevos congênitos e máculas café-com-leite e auxílio da distinção entre nevo de Spitz e melanoma em casos selecionados. Também foram descritas outras aplicações, como em mastocitose, histiocitose, e outras lesões proliferativas.
Além das lesões tumorais, a MCR apresentou aplicações importantes em doenças inflamatórias, infecciosas e congênitas. Entretanto os autores destacam que a evidência disponível permanece limitada pela predominância de estudos observacionais, relatos de caso e pequenas amostras, além de heterogeneidade dos protocolos, da utilização de diferentes equipamentos e disponibilidade restrita de dados exclusivamente pediátricos.
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Principais achados e aplicações clínicas
Os autores concluem que a MCR é um método seguro, aplicável e não invasivo, com potencial para reduzir a realização de biópsias e auxiliar no diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças dermatológicas na infância. Entretanto, mais estudos prospectivos, com maior rigor metodológico e maior número de pacientes pediátricos são necessários para consolidar seu papel na prática clínica pediátrica.
Autoria

Marselle Codeço Barreto
Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).
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