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Dermatologia3 agosto 2026

Aplicações clínicas da MCR na dermatologia pediátrica

Revisão sistemática avalia as aplicações clínicas da microscopia confocal por reflectância (MCR) na dermatologia pediátrica

A microscopia confocal por reflectância (MCR) representa uma técnica de imagem não invasiva que avalia a pele em tempo real. Possui utilidade bem estabelecida na avaliação de tumores melanocíticos e não melanocíticos, assim como em condições inflamatórias.  A MCR reduz a necessidade de biópsias de pele e permite monitorar a resposta dinâmica ao tratamento de diversas condições, o que é especialmente relevante na população pediátrica, onde minimizar o desconforto, os procedimentos dolorosos e traumáticos, bem como potenciais cicatrizes é extremamente importante.

Considerando a escassez de evidências específicas para a população pediátrica, esta revisão sistemática teve como objetivo sintetizar as aplicações clínicas da MCR em pacientes com até 18 anos de idade, com ênfase no diagnóstico, diagnóstico diferencial e monitoramento terapêutico das principais doenças dermatológicas.

Aplicações clínicas da MCR na dermatologia pediátrica

Metodologia da revisão sistemática sobre a MCR

A revisão foi conduzida conforme as recomendações do PRISMA e registrada no PROSPERO. Foram pesquisadas as bases MEDLINE e Web of Science, incluindo estudos originais, estudos observacionais, séries de casos e relatos de caso que utilizaram MCR em pacientes pediátricos. Setenta e três estudos atenderam aos critérios de inclusão, que foram classificados em quatro grupos de condições: lesões neoplásicas e relacionadas; anomalias congênitas; doenças inflamatórias; e infecções/infestações. Devido à heterogeneidade metodológica entre os trabalhos, foi realizada síntese narrativa dos resultados, além de avaliação do risco de viés dos estudos observacionais.

Eficácia no diagnóstico de doenças dermatológicas na infância

A MCR demonstrou utilidade no diagnóstico não invasivo, na diferenciação entre condições clinicamente semelhantes e no acompanhamento longitudinal de lesões melanocíticas, distúrbios pigmentares congênitos, líquen escleroso, vitiligo, acne, molusco contagioso, verruga plana, dermatofitoses e escabiose. Em áreas anatômicas sensíveis, como a região genital, a técnica apresentou potencial para reduzir a necessidade de procedimentos invasivos.

Na discussão, os autores ressaltam que a MCR fornece imagens com elevada resolução, comparáveis às obtidas por exame histológico, favorecendo a avaliação diagnóstica e o seguimento clínico em crianças. Nos nevos melanocíticos, a técnica mostrou-se útil para o monitoramento de lesões benignas, diferenciação entre nevos congênitos e máculas café-com-leite e auxílio da distinção entre nevo de Spitz e melanoma em casos selecionados. Também foram descritas outras aplicações, como em mastocitose, histiocitose, e outras lesões proliferativas.

Além das lesões tumorais, a MCR apresentou aplicações importantes em doenças inflamatórias, infecciosas e congênitas. Entretanto os autores destacam que a evidência disponível permanece limitada pela predominância de estudos observacionais, relatos de caso e pequenas amostras, além de heterogeneidade dos protocolos, da utilização de diferentes equipamentos e disponibilidade restrita de dados exclusivamente pediátricos.

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Principais achados e aplicações clínicas

Os autores concluem que a MCR é um método seguro, aplicável e não invasivo, com potencial para reduzir a realização de biópsias e auxiliar no diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças dermatológicas na infância. Entretanto, mais estudos prospectivos, com maior rigor metodológico e maior número de pacientes pediátricos são necessários para consolidar seu papel na prática clínica pediátrica.

Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Editora médica da Afya. Formada pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação na Afya, também é preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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