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Dermatologia10 março 2026

Alopecia areata: como promover o bem-estar nos pacientes? 

Estudo buscou desenvolver recomendações multidisciplinares e multissetoriais envolvidos no apoio a indivíduos com alopecia areata

A alopecia areata (AA) é uma doença autoimune dos folículos pilosos que provoca queda de cabelo, podendo evoluir com perda total dos cabelos e pelos corporais. Embora cerca de dois terços dos pacientes apresentem repilação espontânea em até cinco anos, o curso da doença costuma ser imprevisível, marcado por ciclos e queda e recuperação. Apesar dos avanços terapêuticos, o tratamento pode apresentar eficácia limitada e a condição possui importante impacto emocional e psicossocial aos pacientes. 

Indivíduos com AA possuem maior risco de ansiedade, depressão e prejuízo na qualidade de vida, principalmente devido às mudanças na aparência física e alterações na autoidentidade. Apesar desse impacto psicológico ser bem documentado, ainda há pouca orientação prática sobre como promover o bem-estar desses pacientes. 

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Estudo 

O trabalho em questão propõe, então, o desenvolvimento de recomendações amplas, direcionadas não apenas aos profissionais da saúde mental, mas também dermatologistas, clínicos e rede de apoio. Foram considerados os aspectos socioculturais do cabelo, decisões sobre camuflagem e revelação da doença e a importância de uma comunicação empática. O método Delphi modificado foi utilizado para alcançar consenso entre especialistas e pessoas com experiência vivida com AA. 

O estudo adotou um desenho de consenso Delphi modificado, precedido por participação ativa de pacientes com AA no planejamento da pesquisa, definição da pergunta científica e revisão dos materiais. Inicialmente foi realizada uma revisão sistemática da literatura (2003-2023) em bases com MEDLINE, Emase e PsyncINFO, para identificar evidências sobre a adaptação psicológica e bem-estar em pacientes com AA, cujos achados orientaram a construção da primeira rodada Delphi. Os painelistas foram selecionados com base em dois tipos de expertise: profissionais envolvidos no cuidado (como profissionais da saúde mental, dermatologistas etc.) e indivíduos com experiência vivida com AA. 

Na primeira rodada os participantes responderam uma pesquisa qualitativa online com perguntas abertas sobre aspectos essenciais no suporte psicológico aos pacientes com AA. Os dados foram analisados com o objetivo de gerar recomendações práticas. Esses itens seriam posteriormente avaliados e refinados em rodadas subsequentes para atingir consenso entre os participantes, resultando em recomendações finais destinadas a orientar profissionais de saúde e redes de apoio na promoção do bem-estar psicológico em pessoas com AA. 

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Resultados 

Os resultados das três rodadas indicaram que a validação e a exploração do impacto emocional que a AA pode exercer nos indivíduos é a principal recomendação para os profissionais de cuidado. A empatia por parte dos profissionais de saúde, e especialmente maior conscientização sobre a ruptura da autoidentidade e das interações sociais, é desejada por indivíduos com AA.  

Além disso, o gerenciamento das expectativas sobre os resultados do tratamento da AA foi considerado um fator crucial para promover o bem-estar dos pacientes, considerando o ajuste quanto às expectativas do prognóstico, explicação da imprevisibilidade da evolução da doença e ajuda para o paciente lidar com as incertezas. 

Quanto às limitações, o estudo pondera que indivíduos negros e asiáticos foram sub-representados, assim como homens, no grupo de painelistas, além de atender às necessidades e preferências de bem-estar de crianças e jovens com AA em menor grau do que dos adultos. 

Alopecia areata: como promover o bem-estar nos pacientes? 

Considerações finais: Alopecia areata 

O estudo também reforçou que o cuidado deve ser multidisciplinar e centrado na pessoa, combinado com comunicação empática, apoio à adaptação psicológica e orientação prática para lidar com as mudanças na aparência. As recomendações preconizaram que médicos, profissionais de saúde mental e a rede de apoio exercem papéis complementares na promoção do bem-estar dos pacientes. 

Autoria

Foto de Marselle Codeço Barreto

Marselle Codeço Barreto

Médica pela Faculdade de Medicina Souza Marques e Dermatologista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Preceptora de Dermatologia e Dermatoscopia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF-UFRJ). Possui Título de Especialista em Dermatologia e é Membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM) e International Dermoscopy Society (IDS).

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