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Desde sua descrição inicial nos anos 90, temos avançado no conhecimento da síndrome de Takotsubo. Sabemos que é um diagnóstico diferencial com síndrome coronariana aguda (SCA) e que o seu quadro clínico pode variar bastante em relação à gravidade. Existem também triggers conhecidos para esta entidade como estresse emocional e/ou físico. Para este último, existem várias possibilidades como: desordens neurológicas, feocromocitoma, atividade física, procedimentos, outras comorbidades etc. Será que diferentes gatilhos trazem consigo diferentes prognósticos?
O JACC publicou recentemente um estudo que abordou essa questão, usando dados do Registro Internacional de Takotsubo e analisando o prognóstico dos pacientes com Takotsubo (e seus diversos “gatilhos”) e os comparando ao de pacientes com SCA (grupo controle – coorte ajustada para idade e sexo de pacientes do registro de SCA de Zurique).
– Classificação dos gatilhos físicos:
2a) Atividade física, outras comorbidades e procedimentos;
2b) Desordens neurológicas.
OBS: os pacientes que apresentavam estresses emocional e físico foram excluídos da análise!
Braço Takotsubo (455 pacientes) X Braço SCA (455 pacientes -> 233 c/ supra ST x 222 s/ supra ST).
Takotsubo e seus gatilhos
Resultados
A mortalidade acumulada em nove anos foi semelhante entre os dois braços, mesmo quando dividimos o grupo controle em relação a SCA com ou sem supra ST. Quanto aos gatilhos:
Para esta análise, a amostra foi diferente: cerca de 1.600 pacientes com apenas um tipo de gatilho do registro de Takotsubo foram analisados e para estes (dividido em três classes):
- Estresse emocional (1) -> 30% (n=485) composto por 95% de mulheres;
- Gatilhos físicos tipo (2a) (ver acima) -> 33% (n=532) com 85% de mulheres;
- Gatilhos físicos tipo (2b) -> 6% (n=98) com 87% de mulheres;
- Sem gatilho (3) -> 31% (n=498) com 91% de mulheres.
Os pacientes com gatilhos físicos (classe 2) tiveram maior frequência cardíaca e menor fração de ejeção do VE na admissão hospitalar e necessitaram de maior suporte circulatório.
O subtipo apical foi o mais comum (maior que 75%) em todos as três classes supracitadas e a apresentação ao ECG mais comum foram: supra ST ou inversão de T.
O pior prognóstico no longo prazo foi para o grupo com desordens neurológicas (seja pela condição de base – ex.: hemorragia intracraniana – quanto pela gravidade do Takotsubo) seguido pelo gatilho físico tipo 1, sendo piores que o dos pacientes com SCA.
Os pacientes com gatilho emocional apresentaram o melhor prognóstico a longo prazo (melhor que o de SCA).
Em conclusão: não ter gatilho (classe 3) e ter gatilho físico (classe 2) são fatores de pior prognóstico (mortalidade em 30 dias e 5 anos).
Discussão
A síndrome de Takotsubo é uma entidade clínica com contextos clínicos e gatilhos variáveis que sugerem trazer consigo prognósticos diferentes. O paciente típico (mulher pós-menopausa e com estresse emocional – classe 1) e com forma apical parece ter realmente bom prognóstico a curto e a longo prazo, quando comparados com pacientes com SCA clássica. Os autores e médicos envolvidos no registro internacional sugerem usar essa classificação (1, 2 e 3) para os diferentes gatilhos como forma de diferenciar os pacientes pelo prognóstico que cada parece agregar.
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Referências:
- Jelena R. Ghadri, MD et al; Long-Term Prognosis of Patients With Takotsubo Syndrome; JACC Volume 72, Issue 8, August 2018 DOI: 10.1016/j.jacc.2018.06.016
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