As plantas medicinais são amplamente utilizadas para tratar uma variedade de sintomas e doenças.1 A tendência no uso de produtos à base de plantas vem crescendo nos últimos anos, mas seu uso é descrito há dezenas de anos. Desde a Grécia antiga encontramos registros de sua utilização.2
Chamamos de fitoterápicos os medicamentos que são formulados a partir de plantas ou de parte de plantas como raízes, folhas, flores e sementes e que são utilizados para prevenir, tratar ou aliviar doenças. Esses produtos podem ser preparados na forma de extratos, pós, cápsulas, óleos ou chás.
Os fitoterápicos são frequentemente utilizados na medicina tradicional e alternativa e tem sido parte integrante de sistemas de saúde em várias culturas ao redor do mundo, sendo valorizados pelos seus efeitos anti-inflamatórios, antimicrobianos, analgésicos, entre outros.
Encontramos na literatura aplicações nas mais diversas doenças e sintomas, mas o foco desse artigo é o seu uso em sintomas respiratórios.
Tosse, congestão e dificuldade respiratória têm sido uma preocupação constante na medicina, especialmente devido à sua prevalência em infecções virais e bacterianas. A busca por tratamentos eficazes desses sintomas levou ao uso crescente de fitoterápicos, entre os quais o Pelargonium sidoides se destaca.
Uso de fitoterápicos nos sintomas respiratórios
Os medicamentos à base de plantas contendo efeitos anti-inflamatórios, imunomoduladores e de aumento na frequência dos batimentos ciliares prometem auxiliar em doenças respiratórias como a rinossinusite.3
Um dos mais estudados para esse fim é o Pelargonium sidoides. É utilizado na medicina tradicional sul-africana para auxiliar classicamente no tratamento de alterações gastrointestinais, mas também encontramos sua aplicação para os sintomas respiratórios.1
A identificação de vários compostos das raízes de P. sidoides, como prodelfinidinas, metoxicumarina e proantocianidinas, levou à produção de um extrato etanólico conhecido como EPs®7630. A preparação líquida de medicamentos fitoterápicos EPs 7630 é um extrato patenteado das raízes moídas de Pelargonium sidoides que foi aprovado para o uso medicinal em diversos países para indicações como: bronquite aguda, resfriados comuns e infecções agudas do trato respiratório, rinossinusite aguda e amigdalofaringite aguda.
Os mecanismos de ação estudados do Pelargonium sidoides incluem:
- Modulação imunológica: ele parece estimular a resposta imunológica, aumentando a atividade dos macrófagos e a produção de citocinas, que são cruciais na defesa contra patógenos respiratórios.1
- Atividade antiviral: alguns estudos apostam que ele pode reduzir a replicação de vários vírus respiratórios, incluindo o vírus da gripe e o vírus sincicial respiratório (VSR).1,4
- Propriedades antimicrobianas: Além da atividade antiviral, o Pelargonium sidoides possui propriedades antimicrobianas que ajudam a combater infecções bacterianas secundárias, comuns em doenças respiratórias, mas seus mecanismos ainda não estão bem descritos.1
- Redução dos sintomas: parece reduzir os sintomas respiratórios, como tosse e congestão, acelerando a recuperação dos pacientes. Ensaios clínicos demonstraram que pacientes tratados com EPs 7630 apresentam uma melhora mais rápida em comparação com aqueles que recebem placebo.3,5
Conclusão
Em resumo, o Pelargonium sidoides se apresenta como uma alternativa que parece auxiliar, conjuntamente com as medicações de uso padrão, no tratamento de infecções respiratórias, combinando efeitos imunomoduladores, antivirais e antimicrobianos. A evolução dos sintomas respiratórios destaca a importância de continuar explorando e validando o uso de plantas medicinais na prática clínica.
É importante ressaltar que, embora muitos fitoterápicos tenham sido utilizados por séculos e possuam evidência de eficácia, a qualidade, segurança e eficácia dos produtos podem variar. Portanto, é essencial que sejam utilizados com cautela e, preferencialmente, sob orientação médica.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.