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Clínica Médica13 dezembro 2024

Fogos de artifício e emergências médicas: Queimaduras e amputações

O uso indiscriminado dos fogos de artifício, muitas das vezes por pessoas imprudentes ou alcoolizadas, pode acarretar riscos enormes como queimaduras e amputações

Os fogos de artifício fazem parte de diferentes aspectos sociais e culturais por todo o mundo, com grande destaque para as festividades de fim de ano. 

Entretanto, seu uso indiscriminado, muitas das vezes por pessoas imprudentes ou alcoolizadas, pode acarretar riscos enormes. 

No texto de hoje, serão pontuadas as principais complicações médicas em acidentes desse perfil, assim como medidas de cuidado no pronto-socorro. 

Fogos de artifício

Queimaduras 

As queimaduras causadas pelos fogos podem ser de 1º grau, 2º grau ou 3º grau, podendo surgir de forma concomitante.  

A estratificação adequada permite manejar o paciente de forma mais objetiva, definindo melhor os objetivos terapêuticos e se o local de atendimento inicial é suficiente para o manejo ideal ou se o paciente deve ser referenciado para um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ). 

A avaliação inicial deve ser pautada no seguimento geral de um paciente com trauma, seguindo o protocolo ABCDE, observando sinais de maior gravidade e estratificando o grau da queimadura e possíveis complicações relacionadas (queimaduras oculares, trauma timpânico, lesões de vias aéreas…) 

A avaliação inicial envolve os seguinte itens principais: 

 – Avaliação ABCDE 

> Etapa primordial, onde o risco ventilatório e instabilidade hemodinâmica podem ser avaliados, já iniciando condutas terapêuticas. 

– Exame físico guiado para complicações associadas 

– Reposição volêmica guiada pela estratificação da queimadura 

> Queimaduras 2º grau ou 3º grau com > 20% SCQ (em adultos) devem seguir orientações de reposição volêmica baseadas nas últimas orientações do ATLS, podendo ser pautada nas fórmulas de Parkland e de Brook modificada.  

As fórmulas são importantes para início da reposição volêmica de forma objetiva, porém atenção principal deve estar na avaliação hemodinâmica do paciente e sinais de melhora de perfusão orgânica, tendo o débito urinário como grande destaque. 

Obs.: Caso presença de sinais de choque circulatório, iniciar medidas clínicas e transferir paciente para setor de terapia intensiva. 

– Cuidados gerais e curativos 

> Limpeza local, curativos adequados e prevenção de infecções secundárias são fundamentais para o sucesso terapêutico. Lembrar que as queimaduras podem ser extremamente dolorosas, sendo essencial correta analgesia para os pacientes. 

Lesões traumáticas de membros 

Outro ponto de gravidade nos acidentes com fogos, são as lesões traumáticas, tendo as lacerações, fraturas e amputações como os cenários de maior gravidade. 

O cuidado inicial desses pacientes engloba o mesmo perfil citado no manejo das queimaduras, entendo o paciente como uma vítima de trauma e seguindo o protocolo inicial de suporte clínico. 

Um ponto de destaque é a presença de sangramento ativo, que deve ser rapidamente controlado, assim como avaliação de necessidade de reposição volêmica e até mesmo transfusional. 

É essencial o cuidado de preservação adequada do segmento amputado, na maioria das vezes sendo dedos ou mãos. Importante lembrar que o correto acondicionamento e agilidade de transferência para um centro de referência, são fundamentais para o sucesso do reimplante. 

Como orientações gerais: 

Higienizar exaustivamente e envolver o membro amputado em uma gaze estéril com soro fisiológico, armazenando em um saco plástico limpo antes de ser guardado no suporte com gelo para resfriar adequadamente (aproximadamente 4°C). Essencial não colocar o membro em contato direto com gelo, pois pode gerar lesões neurovasculares que impactam no sucesso cirúrgico. 

Encaminhar o paciente para serviço especializado prontamente, uma vez que o reimplante  não é recomendado se o tempo de isquemia for maior que 6 a 8 horas na amputação traumática grave, ou 10 a 12 horas para podo ou quirodáctilos. 

No caso de feridas com necessidade de sutura, atentar para boa higiene local e presença de queimaduras associadas. 

Mensagem final

O manejo inicial desses pacientes deve ser amplamente aprimorado nas unidades de urgência médica. 

A atenção com os cuidados de suporte clínico é parte fundamental de condutas que podem prevenir desfechos desfavoráveis, assim como cuidados básicos que envolvem desde o adequado reconhecimento do grau de queimaduras, até mesmo o correto armazenamento de um membro amputado. 

 

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