Uma mulher de 58 anos, recém-chegada ao Brasil, vinda de um país da África Subsaariana com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), procura uma Unidade Básica de Saúde (UBS) na periferia de São Paulo. Atualmente, reside em uma comunidade de baixa renda e refere dificuldades para acessar serviços de reabilitação e ainda está se familiarizando com a rede local de saúde. Tem como antecedentes pessoais tabagismo e obesidade. Relata dor na região lombar há aproximadamente seis meses, de instalação gradual, com piora durante determinados movimentos.
O quadro interfere na realização de atividades domésticas e reduziu sua participação nas atividades físicas habituais. Demonstra preocupação com a possibilidade de perda de autonomia e deseja retomar sua rotina.
Durante a anamnese, nega irradiação característica para os membros inferiores, trauma recente, febre, perda ponderal involuntária ou alterações no controle esfincteriano. Ao exame físico, apresenta desconforto à mobilização da coluna lombar, sem déficits focais de força ou sensibilidade.
Não há exames laboratoriais ou de imagem disponíveis no momento, e a equipe considera necessário aprofundar a investigação de antecedentes clínicos relevantes e manter a vigilância para possíveis sinais de alerta durante o acompanhamento.
A paciente também relata dificuldades de acesso regular aos serviços de saúde antes de sua chegada ao Brasil. Embora essa experiência possa influenciar suas expectativas futuras e seu vínculo com os profissionais de saúde, não permite estabelecer uma relação causal entre sua origem geográfica e o quadro doloroso.
Os antecedentes de tabagismo, a obesidade e as condições socioeconômicas reforçam a importância de uma abordagem biopsicossocial, que considere suas limitações funcionais, preferências e possibilidades de adesão ao tratamento.
Diante da apresentação clínica, da duração dos sintomas e da ausência de sinais de alerta identificados na avaliação inicial, a principal hipótese diagnóstica é lombalgia crônica inespecífica.
A paciente manifesta preferência por estratégias terapêuticas que possam ser realizadas próximo de sua residência, com o objetivo de aliviar a dor, recuperar a funcionalidade e preservar sua autonomia.
Considerando a hipótese diagnóstica de lombalgia crônica inespecífica, os fatores biopsicossociais envolvidos e os recursos disponíveis na Atenção Primária à Saúde (APS) brasileira, qual é a conduta inicial mais adequada para essa paciente?
Autoria

Bruna Lupp
Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.
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