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Clínica Médica16 outubro 2024

Calendário de vacinação para adultos

A Sociedade Brasileira de Imunizações, com o intuito de otimizar o alcance vacinal, divulgou o seu calendário para indivíduos entre 20 e 59 anos.

As imunizações são lembranças vívidas da infância da maioria dos brasileiros, sendo essa uma virtude do bem estruturado Programa Nacional de Imunizações, que tem se munido progressivamente de insumos e tecnologias, além de capitanear campanhas educativas, a exemplo do lúdico personagem “Zé Gotinha”. 

Ao longo da vida adulta, entretanto, essa importante ferramenta de prevenção de agravos infecciosos tende a ser negligenciada por vários motivos: a correria cotidiana, a ausência de percepção de vulnerabilidade e a crescente desinformação em saúde, que tende a distorcer a visão entre os benefícios e riscos das vacinas. 

A Sociedade Brasileira de Imunizações, com o intuito de homogeneizar as condutas vacinais para os adultos e otimizar o seu alcance, divulgou o seu calendário para indivíduos entre 20 e 59 anos, cujas principais recomendações abordaremos. 

Veja também: Atualidades na vacinação em adultos: vacinas adicionadas ao PNI nos últimos 5 anos

Antes de avançar nas especificações de cada imunizante, relembramos as regras de ouro das imunizações: 

  • As vacinas combinadas são preferíveis; 
  • Sempre que possível, considerar aplicações simultâneas na mesma visita; 
  • Qualquer dose não administrada na idade recomendada deve ser aplicada na visita subsequente; 
  • Eventos adversos significativos devem ser notificados. 

imunizações

Tríplice bacteriana acelular do tipo adulto 

  • Agentes contemplados: difteria, tétano e coqueluche (vacina dTpa). 
  • Na ausência de vacinação prévia ou histórico vacinal conhecido, recomenda-se 1 dose da dTpa, seguida por 2 doses da dT (esquema: 0, 2 e 4 a 8 meses), totalizando 3 doses do componente tetânico. 
  • Os indivíduos com esquema vacinal básico completo (3 doses de dT) devem receber a dose de reforço com a dTpa a cada 10 anos. 
  • Os indivíduos com programação de viagem para países endêmicos de poliomielite 

devem receber a vacina dTpa-VIP. 

  • Disponibilidade no SUS: dT (universal) e dTpa (exclusivamente para gestantes, puérperas e profissionais de saúde). 
  • Disponibilidade em clínicas privadas: dTpA e dTpa-VIP. 

Influenza 

  • A dose única anual é recomendada para adultos saudáveis. Em imunodeprimidos, pode-se considerar uma segunda dose, com intervalo de 3 meses.
  • Disponibilidade no SUS: 3V para adultos pertencentes aos grupos de risco. 
  • Disponibilidade em clínicas privadas: 3V e 4V, sendo preferível a segunda, por contemplar um maior número de cepas circulantes.

Pneumocócica 

  • A vacinação está indicada para os adultos portadores de comorbidades e, de forma universal, na última década dessa categoria (50 a 59 anos). 
  • Indica-se a VPC20 (Prevenar® – vacina pneumocócica conjugada) em dose única ou o esquema sequencial abaixo descrito: 
1° passo Intervalo 2° passo Intervalo 3° passo 
VCP15 ou VCP13 6 a 12 meses VPP23 5 anos VPP23 

VPP: Vacina pneumocócica polissacarídica. 

  • Disponibilidade no SUS: VPC13 nos CRIE (Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais) para algumas indicações específicas do esquema sequencial; e a VPP23 para grupos de risco, asilados e institucionalizados. 
  • Disponibilidade em clínicas privadas: VPC20, VPC15, VPC13 e VPP23. 

Herpes zóster 

  • Indicação de rotina a partir dos 50 anos, incluindo aqueles que já desenvolveram a doença, desde que respeitado um intervalo habitual de 6 meses entre a doença e a imunização. 
  • Esquema: vacina inativada (VZR – Shingrix®) com 2 doses intervaladas em 2 meses (0 – 2). 
  • A VZR é recomendada inclusive para aqueles previamente vacinados com a vacina atenuada (VZA – Zostavax®), respeitando-se um intervalo mínimo de 2 meses entre elas. 
  • Indisponibilidade no SUS. 
  • Disponibilidade em clínicas privadas: VZR. 

Tríplice viral 

  • A vacina para sarampo, caxumba e rubéola, é administrada em 2 doses, a partir de 1 ano de idade e com intervalo mínimo de 1 mês (0 – 1). 
  • Não há evidências que justifiquem uma 3ª dose como rotina para adultos com esquema completo, embora possa ser considerada em surtos epidemiológicos. 
  • Recomenda-se 2 doses até os 29 anos e uma dose única se administrada entre 30 e 59 anos. 
  • A administração em imunossuprimidos deve ser discutida de maneira individualizada com o médico assistente.
  • Pode-se considerar a aplicação da vacina combinada tetraviral para os suscetíveis (SCRV), que contempla também a varicela. 
  • Há disponibilidade no SUS. 

Varicela 

  • A imunização é recomendada para os indivíduos suscetíveis com 2 doses (0 – 1 a 2 meses). 
  • A administração em imunossuprimidos deve ser discutida de maneira individualizada com o médico assistente. 
  • A disponibilidade é exclusivamente no setor privado. 

Hepatite A e B 

  • A vacina da hepatite A é administrada em 2 doses (esquema: 0 – 6 meses), enquanto a da hepatite B em 3 doses (0 – 1 – 6 meses), ambas destinadas aos suscetíveis. 
  • Há ainda a opção da vacina combinada (A + B) no esquema (0 – 1 – 6 meses). 
  • Disponibilidade no SUS: Vacina da Hepatite B. 
  • Disponibilidade em clínicas privadas: Vacina da Hepatite A e Combinada (A + B). 

HPV 

  • A recomendação é pela vacinação preferencial com a vacina HPV9, em detrimento da HPV4, em 3 doses (esquema: 0 – 1 – 2 a 6 meses), incluindo aqueles adultos previamente expostos e com faixa etária entre 20 e 45 anos. A partir dos 45 anos, a decisão deve ser compartilhada, pois extrapola a faixa etária do licenciamento. 
  • Contraindicada para gestantes. 
  • A disponibilidade para adultos é exclusivamente no setor privado. 

Meningogócicas conjugadas: ACWY e C 

  • Uma dose única da vacina ACWY (preferível) ou C (alternativa) pode ser realizada diante da necessidade de reforço, na dependência da situação epidemiológica. 
  • A disponibilidade para adultos é restrita ao setor privado. 
  • A vacina meningocócica B, em 2 doses intervaladas em 1 (Bexsero®) ou 6 meses (Trumenba®), é indicada na dependência da situação epidemiológica. 
  • O uso é considerado off label acima dos 50 (Bexsero®) e 25 anos (Trumenba®), respectivamente. 
  • Ambas estão disponíveis exclusivamente no setor privado. 

Febre amarela 

  • A recomendação é da aplicação de 2 doses, intervaladas em 10 anos. 
  • A vacina pode ser exigida para a emissão do CIVP (Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia) na dependência do destino, devendo ser aplicada até 10 dias antes da viagem. 
  • É contraindicada em nutrizes até que o bebê complete 6 meses, e o uso em imunodeprimidos e gestantes deve ser discutido com o médico assistente. 
  • Há disponibilidade no SUS. 

Dengue 

  • A vacina Qdenga® é preferível, podendo ser utilizada em adultos com até 60 anos e de forma independente de contato prévio com o vírus. 
  • O esquema é de 2 doses com intervalo de 3 meses (Esquema: 0 – 3 meses). 
  • A Dengvaxia® deve ser limitada aos adultos soropositivos para dengue, com até 45 anos e em 3 doses (Esquema: 0 – 6 – 12 meses). 
  • Ambas são contraindicadas em imunodeprimidos, gestantes e lactantes. 
  • A disponibilidade para adultos é exclusiva no setor privado. 

Covid-19 

  • A vacina contra a covid-19 bivalente (Comirnaty – Pfizer®) está indicada como dose anual de reforço para grupos prioritários, conforme as definições para o ano de 2024. 

Veja mais: Covid-19: Anvisa aprova atualização das vacinas

Conclusão e mensagens práticas 

A imunização entre os adultos, frequentemente negligenciada, é uma importante estratégia de profilaxia, tanto sob o aspecto individual quanto coletivo. 

Autoria

Foto de Leandro Lima

Leandro Lima

Editor de Clínica Médica da Afya ⦁ Residência em Clínica Médica (2016) e Gastroenterologia (2018) pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) ⦁ Residência em Endoscopia digestiva pelo HU-UFJF (2019) ⦁ Preceptor do Serviço de Medicina Interna do HU-UFJF (2019) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

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Referências bibliográficas

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