Acredito que ou novos acadêmicos, residentes ou colegas no cenário atual mercado de medicina já devem ter ouvido algum staff, preceptor ou até algum mesmo parente comentando sobre o médico de antigamente, aquela profissão cheia de status e autoridade em que o médico que atendia a família trabalhava muito, ganhava muito dinheiro, comprava bens, fazendas, trocava de carro, eram os verdadeiros DOUTORES (mesmo sem doutorado).
Leia também: Uso da telemedicina em neurologia pediátrica
O passado não volta
Antes da evolução das sociedades médicas, da judicialização da medicina, e da grandíssima papelada a ser preenchida, o médico (em especial o cirurgião) saia da residência feito um exército de um homem só, capacitado a resolver as mais diversas e adversas situações, doenças e complicações, ora por ser o único profissional no local, ora por ser realmente treinado em diversas áreas de atuação. Diferente do que vivemos hoje, (principalmente em grandes centros), o médico se torna cada vez mais especializados em conduzir com maestria uma pequena e muitas vezes complexa lista de patologias, habituado a encaminhar ao colega especialista tudo aquilo que foge do seu domínio.
Em relação nova leva de médicos recém-formados, a situação também já se modificou! O número de novos doutores, saídos do forno é maior a cada ano, sem que o número de vagas de especialização, seja ela residência médica ou pós-graduação acompanhe na mesma proporção.
Antigamente o médico vivia para o trabalho, e juntava muito…
A minha geração trabalha pra viver, e viver bem, portanto gasta muito…
A digitalização da medicina
A nova geração, já está se adequando cada vez mais depressa ao modelo de Medicina Digital, em que as ferramentas de marketing impulsionam a comercialização de conteúdo, ensino e assessoria na área da saúde, mesmo antes de se tornar um especialista, e tem nesse mercado a chance de geração de renda em maiores proporções, que fogem do trabalho orgânico do dia a dia.
“A Transformação Digital é um evento sem volta: uma revolução que veio para mudar completamente a maneira como encaramos o mundo e interagimos com ele.” explica o redator Daniel Moraes, da Rock Content, empresa especializada em produção de conteúdos, sendo que a medicina tradicional também já foi englobada por estratégia de negócios, visto a quantidade de médicos que cada vez mais expõe seus trabalhos e habilidades nas redes sociais.
A Telemedicina no Brasil já é realidade desde que, em 2019, o CFM Conselho Federal de Medicina autorizou a realização da teleconsulta médica, cuja aplicação vai do diagnóstico ao tratamento, monitoramento e manejo tanto de condições agudas quanto crônicas.
Saiba mais: Você sabe quais são os 4 Princípios da Medicina de Família e Comunidade?
Prática comum em outros países, permite superar barreiras de distância, de maneira flexível e conveniente para os pacientes, oferecendo cuidados em saúde em menor tempo, com redução de custos e da carga de trabalho, como explica a publicação deste ano na Revista Brasileira de Educação Médica, intitulada: Teleconsulta: uma Revisão Integrativa da Interação Médico-Paciente Mediada pela Tecnologia.
O trabalho abrange uma revisão integrativa da literatura para identificar essas experiências em quatro bases de dados, de janeiro de 2013 a fevereiro de 2019, a maioria publicada no Reino Unido, e conclui que não é possível transpor as experiências desse cenário para a nossa realidade, principalmente devido os desafios políticos e corporativos do território nacional.
Referências bibliográficas:
- Rock Content. Mercado Digital: sua empresa precisa se adaptar a essa nova realidade. Disponível em:
https://rockcontent.com/br/blog/mercado-digital/ - Catapan SC, Calvo, MCM. Teleconsulta: uma Revisão Integrativa da Interação Médico-Paciente Mediada pela Tecnologia. Revista Brasileira de Educação Médica. 2020;44(1), e002. Epub March 30, 2020.doi: 10.1590/1981-5271v44.1-20190224.ing
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.