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CirurgiaJAN 2023

Qual é a utilidade do bloqueio de nervo intraoperatório nas cirurgias de coluna?

Estudo analisou pacientes consecutivos submetidos a cirurgias de coluna em um centro americano entre fevereiro de 2020 e março de 2021.

O pós-operatório das cirurgias de coluna geralmente é bastante doloroso, requerendo altas doses de opioides. Dessa maneira, é importante a evolução de alternativas para o controle álgico. Os bloqueios intraoperatórios realizados pelo cirurgião já são realizados durante artroplastias de joelho, por exemplo. Entretanto, os dados são escassos quanto à essa prática nas cirurgias de coluna lombossacra.

Leia também: Dores no pós-operatório de cirurgias de coluna

Foi publicado no último mês no Journal of the American Medical Association – JAMA um estudo com o objetivo de avaliar o uso de um novo bloqueio do ramo dorsal guiado por Raio X feito pelo cirurgião nas cirurgias de coluna lombar.

intraoperatório nas cirurgias de coluna

O estudo

Foi analisada uma coorte retrospectiva de pacientes consecutivos submetidos à cirurgia de coluna lombossacra não instrumentada por 2 neurocirurgiões em um centro terciário americano entre fevereiro de 2020 e março de 2021. Os resultados primários foram o escore de dor na escala visual analógica (EVA) na unidade de recuperação pós-anestésica (URPA), uso de opioides na URPA e tempo de internação.

Foram incluídos 107 pacientes, dos quais 58 foram submetidos a bloqueio de ramo dorsal antes da cirurgia (33 homens [56,9%], 25 mulheres [43,1%]; idade média [DP] 58,8 [15,6] anos) e 49 não receberam o bloqueio (31 homens [63,3%], 18 mulheres [36,7%]; idade média [DP] 61,7 [15,7] anos). Esses grupos de tratamento foram semelhantes.

Os pacientes no grupo do bloqueio tiveram a média dos primeiros escores EVA que foram 1,5 (de 10) pontos mais baixos do que aqueles no grupo que não recebeu o bloqueio (2,4 vs 3,9; redução de 39%; IC de 95%, -0,3 a -2,8; P = 0,02) e foi necessário, em média, 9,0 menos equivalentes de morfina oral (OMEs) na URPA (12,0 vs 21,0; 43% de redução; IC95%, −3,8 a −14,2; P < 0,001).

Não houve diferença no tempo médio de permanência entre os grupos com bloqueio e sem bloqueio (1,1 vs 1,5 dias; IC95%, -0,9 a 1,7 dias; P = 0,56). O tempo médio (DP) necessário para realizar o bloqueio foi de 5,9 (2,6) minutos. Nenhum evento adverso ocorreu em nenhum dos grupos.

Saiba mais: Práticas que melhoram desfecho neurológico perioperatório

Conclusão

O estudo foi limitado por seu pequeno tamanho de amostra e desenho retrospectivo não randomizado. A otimização do controle da dor através do uso de bloqueios anestésicos locais administrados pelo cirurgião pode representar uma oportunidade, em vários campos cirúrgicos, para melhorar a recuperação do paciente, reduzir o uso de opioides no pós-operatório e diminuir o abuso de medicação.

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Referências bibliográficas

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