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Cirurgia5 março 2025

Plantão de Carnaval: Manejo do Trauma de Face na Emergência

A avaliação inicial de qualquer paciente vítima de trauma deve seguir o protocolo do ATLS, sendo prioridade a manutenção da via aérea prévia

Trauma facial (TF) é um dos achados mais frequentes em pacientes vítimas de politrauma que chegam na sala de emergência. A apresentação é diversa, variando de lacerações superficiais de partes moles até lesões severas com risco iminente de óbito. Por isso, a avaliação, estratificação e manejo inicial adequado dessas lesões muda significativamente seu prognóstico, possibilitando um melhor resultado funcional e estético. A seguir revisaremos as principais etapas do manejo do trauma de face na emergência.

Avaliação inicial e estabilização clínica

A avaliação inicial de qualquer paciente vítima de trauma deve seguir o protocolo do ATLS, sendo prioridade a manutenção da via aérea prévia. Em caso de comprometimento dessa, a intubação orotraqueal (IOT) é a primeira opção.  

A cricotireoidostomia deve ser realizada em pacientes com comprometimento de via aérea e fraturas de face que impedem a visualização das cordas vocais na laringoscopia. Nas fraturas cominutivas de mandíbula, sangramento severo do terço médio e rebaixamento também está indicada proteção da via aérea que, caso não seja alcançada pelos dois métodos citados acima, pode ser obtida por alternativas como intubação nasotraqueal, submentoniana ou traqueostomia.

Leia mais: Fratura de base de crânio: você sabe identificar?

Exames complementares

Pacientes com TF de alta energia têm frequentemente lesões cerebrais e cervicais associadas, sendo prioritário garantir a segurança de órgãos vitais. O exame inicial em pacientes estáveis é a tomografia computadorizada. Na presença de lesões na TC ou de sinais clínicos, como diplopia, dor à mobilização ocular ou cegueira, está indicada a avaliação de equipe especializada. 

Adicionalmente, a realização de exames mais específicos, como angio-TC fica reservada para pesquisa de lesão cerebrovascular contusa em traumas mais graves como fraturas Le Fort II e III, fraturas de base de crânio e lesões cervicais altas. 

Abordagem das lesões faciais  

A avaliação específica do TF se inicia com exame físico craniofacial detalhado, que inclui avaliação da forma e dinâmica facial, função neurológica, acuidade visual, septo nasal (excluindo hematoma ou rinorreia).  

Nessa avaliação, achados como epistaxe (manejado com tampão nasal anterior e/ou posterior, controle pressórico) e escalpelamentos (inicialmente abordados com curativos compressivos) são frequentes e devem ser conduzidos para evitar perda volêmica até abordagem cirúrgica definitiva.  

Lesões de partes moles devem ser tratadas inicialmente com limpeza por irrigação com solução fisiológica, hemostasia e desbridamento de tecidos desvitalizados. As lacerações que ultrapassam a derme devem ser idealmente suturadas em até 8h. Já abrasões superficiais podem ser tratadas conservadoramente com curativos tópicos (gases com petrolatum, por exemplo).  

Na presença de fraturas ósseas faciais, rastreadas com TC com reconstrução em 3D, está indicada a reconstrução o mais precoce possível objetivando a redução de deformidades. 

A abordagem inicial do arcabouço ósseo consiste essencialmente na redução (correção de posicionamento ósseo), fixação e imobilização de porções (auxilia na reparação óssea) e garantia da boa oclusão dentária. Na identificação de fraturas faciais, deve-se indicar avaliação do cirurgião craniomaxilofacial.  

Veja também: Manejo de trauma em adultos

O que levar para casa 

A abordagem do TF é complexo e multifásico. A abordagem inicial segue os princípios da abordagem do trauma, segundo o ALTS em que a garantia da via aérea pérvia e estabilização hemodinâmica são prioritários. Sequencialmente, a investigação complementar com TC permite estratificação de lesões faciais, assim como melhor planejamento de condutas. 

Lesões que podem instabilizar o paciente devem ser priorizadas, enquanto escoriações ou lacerações de partes moles ou fraturas ósseas têm condutas específicas conforme localização e extensão. 

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Referências bibliográficas

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