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Cirurgia30 dezembro 2024

Irrigação transanal no megacólon congênito 

Estudo avaliou a eficácia de um protocolo de irrigação transanal adaptado a cada paciente para prevenir o abandono e aumentar a satisfação, independência e qualidade de vida.

Pacientes submetidos à correção cirúrgica da DH podem apresentar quadro de incontinência fecal e constipação intestinal. Essas duas condições, independente da causa, estão associadas à piora da qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, problemas sociais e dificuldade de socialização. O tratamento dessas condições envolve a reavaliação técnica do procedimento realizado e o manejo clínico baseado em condutas conservadoras e invasivas, dependendo da causa identificada para a disfunção. 

A irrigação intestinal consiste em um tratamento amplamente utilizado na população pediátrica, tanto para o manejo pré-operatório quanto para o pós-operatório, na presença de disfunção intestinal. O objetivo desse tratamento é a eliminação das fezes do cólon esquerdo, evitando a perda fecal. 

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O procedimento geralmente é bem tolerado e com poucos efeitos colaterais, apresentando bom resultado relacionado à função intestinal e qualidade de vida do paciente. No entanto, existem poucos estudos prospectivos e robustos que englobem esses achados. A maioria dos estudos é retrospectivo, com dados limitados na avaliação dos efeitos a longo prazo e sem consenso uniforme sobre a abordagem ideal em crianças, assim como poucos dados sobre o impacto social nas famílias. 

Porém, um estudo recente teve como objetivo a avaliação da eficácia de um protocolo personalizado que leva em consideração cada paciente e sua condição clínica, minimizando a taxa de abandono, e avaliando resultados que envolvem a qualidade de vida das crianças e seus cuidadores. 

Metodologia 

Foi realizado um estudo prospectivo, intervencionista, multicêntrico e não randomizado, envolvendo crianças de 4 a 18 anos com disfunção intestinal (incontinência e constipação), que não responderam aos tratamentos convencionais. 

Discussão 

Os pacientes foram divididos em dois grupos, sendo um deles de pacientes com disfunção intestinal por causas orgânicas, sem alteração de sistema nervoso central e medula, incluindo os pacientes com DH, e outro de pacientes com causas neurológicas, envolvendo alterações de SNC e medula espinhal. 

Os pacientes com doença inflamatória intestinal foram excluídos, assim como pacientes com colite isquêmica, pacientes em manejo com irrigação intestinal até 6 meses antes do estudo, pacientes com estenose colorretal ou outra condição de tratamento cirúrgico. 

O protocolo envolveu treinamento dos pacientes e cuidadores. Os pacientes foram submetidos à avaliação psicológica e avaliação radiológica através de enema contrastado que avaliou a quantidade exata de fluido necessária para a irrigação diária. 

O uso correto do tratamento foi avaliado após o treinamento inicial, assim como a presença de dor e sangramento durante a evacuação, sensação de esvaziamento retal incompleto, sensação de falha no esvaziamento, o tempo de evacuação, a necessidade de laxantes e a incidência de infecções do trato urinário. 

Foram utilizados questionários para avaliação da percepção do paciente quanto a sua condição clínica, grau de satisfação e aceitação social. 

O acompanhamento foi feito por oito semanas de forma presencial ou por telefone, e após seis meses do início do tratamento. 

O estudo incluiu 78 pacientes, com uma proporção de 1,4 homens para 1 mulher. Todos os pacientes apresentavam disfunção intestinal de causa orgânica, sendo 19,2% com DH. 

Todos os pacientes foram treinados para o uso do Peristeen Plus (sistema de irrigação transanal para pessoas com disfunção intestinal). 

Resultados: irrigação transanal no megacólon congênito 

Não houve diferença significativa entre os grupos. Em geral, o tratamento foi mantido durante todo o estudo, tendo 3,8% de taxa de abandono. 

Houve uma queda na porcentagem de dor durante a evacuação (24,4% para 13,3%) e na incidência de infecção do trato urinário (23,1% para 8%). 

O sangramento durante a evacuação foi relatado em apenas alguns casos, apresentando queda após 6 meses de tratamento, assim como a sensação de esvaziamento incompleto, que também apresentou queda. 

Em relação à satisfação dos cuidadores/responsáveis, foi observada uma melhora significativa. 

O estudo descrito fez uso de sistemas de pontuação e de questionários validados, com tempo de acompanhamento de 14 meses, apresentando menos de 15% de pacientes ainda com queixas graves relacionadas à constipação após 6 meses de tratamento contínuo. Em relação à continência, as queixas graves apresentaram drástica redução. Os pacientes que apresentaram os piores resultados foram os que faziam uso regular de laxantes e que apresentavam espinha bífida, sendo fatores de risco independentes para o mau resultado do tratamento. 

O estudo conclui que a irrigação intestinal transanal é um tratamento bem-sucedido em crianças, que o protocolo personalizado apresentou maior grau de satisfação e melhores resultados, inclusive das taxas de abandono, e que o uso de laxantes pode afetar negativamente esse grau de satisfação e qualidade de vida dos pacientes. 

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Referências bibliográficas

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