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CirurgiaDEZ 2021

Exames pré-operatórios: qual é a importância?

Os exames pré-operatórios são peças fundamentais no planejamento cirúrgico, anestésico e na preparação do paciente.

Por Bruno Vilaça

Os exames pré-operatórios são peças fundamentais no planejamento cirúrgico, anestésico e na preparação do paciente que será submetido a uma cirurgia eletiva. Mas será que todos os exames solicitados pelo médico são necessários? 

Na literatura, temos acesso a diversas diretrizes que orientam médicos na avaliação pré-operatória. Em quase sua totalidade, o paciente e sua cirurgia são estratificados.

As cirurgias podem ser estratificadas de acordo com o risco cardíaco que apresentam: 

  • Baixo risco (<1%): cirurgias ortopédicas e urológicas simples, mamas, olhos, ginecológicas, endócrinas, odontológicas;
  • Risco intermediário (1-5%): cirurgias ortopédicas e urológicas complexas, abdominais, pulmonares, carótidas, endovasculares, cabeça e pescoço;
  • Alto risco (>5%): cirurgias cardíacas, revascularizações periféricas, aorta e outras cirurgias vasculares de grande porte.

Os pacientes também são estratificados de acordo com a anamnese e exame físico realizados pelo médico nas consultas pré-operatórias. A classificação mais utilizada é a sugerida pela Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA):

  • ASA 1: pacientes hígidos, sem doenças pré-existentes;
  • ASA 2: pacientes que apresentam doença pré-existente controlada;
  • ASA 3: pacientes que apresentam doença pré-existente não-controlada;
  • ASA 4: pacientes que apresentam doença pré-existente não-controlada e incapacitante;
  • ASA 5: pacientes moribundos, de péssimo prognóstico, sem expectativa de vida ao menos que seja operado;
  • ASA 6: morte encefálica.

exames pré-operatórios

Importância dos exames pré-operatórios 

De acordo com os resultados obtidos, exames pré-operatórios são solicitados para garantir a segurança do paciente na realização do procedimento anestésico/cirúrgico. Por exemplo, pacientes com menos de 40 anos e saudáveis que serão submetidos a cirurgias simples não necessitam de nenhum exame complementar. Ao contrário daquele paciente idoso ou com história de doença cardíaca, diabetes ou asma que ganhará a solicitação de alguns exames para avaliar se a sua doença está controlada. Caso o resultado de algum exame mostre ao médico que aquele paciente pode ser otimizado, garantindo melhores condições de saúde para realização do procedimento, este, será adiado. 

Entretanto, a judicialização da medicina criou médicos temerosos, que buscam na solicitação de exames complementares uma forma de se defender de um processo judicial. Como consequência temos o encarecimento do sistema de saúde e o retardo do procedimento, que poderia ser realizado de forma mais rápida, reduzindo assim filas e sofrimento dos pacientes.

Leia também: Ansiedade pré-operatória e despertar durante anestesia

Sabemos que a medicina é uma ciência não-exata, extremamente complexa e em constante transformação. Dessa forma, médicos podem ter visões e opiniões diferentes a respeito do mesmo problema. As diretrizes, baseadas em pesquisa, vieram para tentar uniformizar as condutas médicas. Porém, infelizmente, com o advento da internet, da informação nem sempre correta à disposição do paciente, do advogado de porta de hospital, médicos se veem pressionados a solicitar diversos exames que sabidamente são desnecessários. O principal prejudicado é o paciente, que pagará mais caro por um plano de saúde ou ficará refém do sistema público.

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