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Carreira15 janeiro 2026

Veja como a rede de apoio pode impulsionar o sucesso do médico

Mais do que preparo técnico, o equilíbrio emocional e o apoio humano são fundamentais para sustentar uma carreira médica saudável e duradoura
Por Redação Afya

Misto de vocação e maratona: mais ou menos assim é o exercício da medicina. Desde a graduação, o médico é submetido a uma rotina intensa, longas horas de estudo e plantões exaustivos. Nesse percurso, a solidão pode se tornar um risco silencioso, e é nesse ponto que entra a importância da rede de apoio: aquele conjunto de pessoas que oferecem suporte emocional, prático e até espiritual para que o médico consiga seguir cuidando sem adoecer.

Para a nefrologista Esther Ribeiro, “ter uma rede de apoio sólida é a certeza prática de que eu não preciso carregar tudo sozinha”. Ela explica que o suporte de familiares, colegas e mentores é essencial para manter o equilíbrio emocional e o sentido humano da profissão. “Essa rede protege nossa saúde emocional, nos dá acolhimento nos dias difíceis e nos permite voltar a cuidar bem dos outros sem esvaziar nossas próprias reservas”, afirma.

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A base afetiva que sustenta a vocação

Na trajetória de muitas médicas e médicos, a rede de apoio começa dentro de casa. Esther lembra que o suporte do marido e da mãe foi decisivo para sua formação. “Meu esposo foi parceiro desde o começo: deu suporte financeiro, emocional e esteve presente em tudo o que foi preciso para que eu chegasse até aqui. Minha mãe foi uma verdadeira ‘avó-mãe’ do meu filho mais velho, enquanto eu fazia residência”, conta ela, hoje, mãe de cinco crianças.

Histórias como a dela se repetem em diferentes contextos. A médica Dayanna Quintanilha também destaca o papel fundamental da família e dos professores em sua jornada. “Eu não tinha nenhuma referência médica na família, então parecia impossível trilhar esse caminho. Meus pais me deram suporte financeiro e meus professores do ensino médio foram o apoio emocional que me fez acreditar que eu podia chegar lá”, relembra.

Esses exemplos mostram que o sucesso na medicina não se constrói apenas com mérito individual. Ele é sustentado por laços humanos que ajudam a manter o propósito mesmo diante do cansaço, da pressão e da vulnerabilidade que acompanham o exercício da profissão.

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Companheirismo e prevenção ao burnout

Especialmente nos primeiros anos de carreira, a rotina médica pode ser solitária e desgastante. Para Esther, o apoio afetivo e prático “salva”. Ela reforça o papel do marido e dos pais nos momentos mais difíceis. “Lembro das marmitas e refeições prontas que meus pais me enviavam e das pequenas celebrações que meu esposo promovia para aliviar a tensão. Ele sempre me lembrava de que tempo com a família valia mais do que o dinheiro de um plantão, e isso me ensinou limites essenciais”, avalia.

Dayanna também reitera que ter amigos em fases semelhantes da carreira faz toda diferença. “Mostra que os desafios são parecidos e que não estamos sozinhos. Quando comecei a dar plantões, eu e uma amiga nos ligávamos para compartilhar experiências e discutir casos. Isso acalmou muito minha ansiedade e minha autocobrança”, relata.

Para ela, esses vínculos de empatia e troca funcionam como uma espécie de escudo emocional. Eles reduzem o risco de burnout e ajudam a manter a qualidade do cuidado com o paciente.

Peso dividido fica mais leve

Além do apoio familiar e entre amigos, as médicas destacam o papel transformador da mentoria e da cooperação entre colegas. Para Dayanna, mentores foram fundamentais em momentos críticos. Ela lembra de uma experiência marcante durante a pandemia: “No meu primeiro plantão em UTI COVID, travei. Estava sozinha, tudo desorganizado e cheio de pacientes graves. Liguei para a chefe do serviço, que foi até o CTI, me abraçou e disse: ‘Hoje você vai fazer o que for possível’. Aquele gesto me deu forças para seguir”, diz, emocionada.

Já Esther acredita que a mentoria tem ainda uma dimensão que vai além do aspecto técnico. “Mentoria de vida salva carreiras. Aprender a definir limites, simplificar e não fazer da renda a única bússola é um aprendizado que traz paz e sustentabilidade”, defende.

Em sua experiência na nefrologia, ela destaca ainda a importância do trabalho em equipe: “A equipe é quase uma família escolhida. Isso faz toda diferença para enfrentar a intensidade dos casos e manter o equilíbrio emocional”, reflete.

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Cuidar de si é parte do cuidar do outro

Uma coisa é certa para as duas profissionais: construir e nutrir uma rede de apoio é uma escolha consciente e ética. Esther resume em uma frase o que acredita ser o segredo de uma carreira equilibrada: “Uma trajetória sustentável depende tanto do saber técnico quanto da qualidade das relações”.

Dayanna complementa com um conselho aos futuros médicos: “Na residência, vivi a parceria e não a competição. Estar disponível, receptivo e empático cria um ambiente de colaboração que torna o peso do trabalho mais leve”.

No fim das contas, o sucesso na medicina é feito de conhecimento, sim, claro, mas também de afeto, escuta e humildade. Cuidar de quem cuida é uma forma silenciosa e poderosa de manter viva a essência do que é ser médico.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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