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Carreira4 novembro 2026

Estudo da Afya associa gênero à saúde mental de médicos

Trabalho vence prêmio no Congresso Brasileiro de Psiquiatria e relaciona saúde mental de médicos a escores menores de qualidade de vida.
Por Redação Afya

Estudo da Afya sobre saúde mental de médicos venceu em outubro como melhor artigo científico no XLIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em São Paulo. A pesquisa avaliou 2.005 médicos com o questionário WHOQOL-BREF e encontrou mais depressão e ansiedade entre as mulheres. O transtorno mental foi o fator mais associado à pior qualidade de vida, dado relevante para políticas de bem-estar médico.

Publicado na PLOS One em janeiro de 2026, o artigo usa dados de pesquisa on-line nacional feita entre julho e agosto de 2024. A amostra foi ajustada por sexo, região e idade para refletir a população médica do país.

Saiba mais: Qualidade de vida dos médicos: estresse pesa mais que salário

Médicas relatam mais depressão e ansiedade que médicos

Entre as médicas, 46,8% relataram diagnóstico de transtorno mental, contra 33,5% dos homens. A diferença indica que as disparidades de gênero persistem mesmo com a feminização da medicina. Já a ansiedade atingiu 39,9% delas e 25,1% deles, enquanto a depressão, 25,3% e 17,7%.

O estresse prejudicou o desempenho profissional de 65,9% das mulheres e de 52,6% dos homens. Erros médicos ligados ao estresse foram citados por 34,1% e 29,7%, respectivamente.

Nesse sentido, para Marcelo Gobbo, autor do artigo e editor-médico da Afya, “os dados sugerem que ter com quem contar não basta para proteger do adoecimento. As médicas relatam relações sociais mais satisfatórias e, ao mesmo tempo, convivem mais com ansiedade e depressão, o que aponta para pressões que a rede de apoio não alcança, como a sobrecarga e as desigualdades que persistem no trabalho. O vínculo protege, mas não substitui condições de trabalho que também possam ser protetoras.”

Saiba mais: Cerca de 40% dos médicos apresentam quadros de doença mental

Transtorno mental reduz até 10 pontos nos domínios do WHOQOL-BREF

No total, 39,8% dos participantes relataram transtorno mental. Nesse grupo, os escores ficaram 10 pontos menores no domínio psicológico e 9 pontos menores na medida global.

A medida global da amostra foi de 59,5 pontos, abaixo da população geral brasileira, o que indica vulnerabilidade na saúde mental de médicos. A sobrecarga de trabalho apareceu em 67,2% dos relatos de burnout. 

Assim, Gobbo acrescenta que “quando dois em cada três relatos de burnout estão ligados à sobrecarga, o cuidado precisa começar pela organização do trabalho. Isso passa por escalas e equipes dimensionadas de forma realista, por acesso sigiloso a cuidado em saúde mental e por uma cultura que trate o erro ligado ao estresse como alerta do sistema, e não como falha individual, com atenção específica às médicas. Cuidar de quem cuida também é uma decisão de gestão.”

Saiba mais: Aspectos da saúde mental a serem trabalhados em hospitais e clínicas 

Como foi a premiação no Congresso Brasileiro de Psiquiatria?

O congresso ocorreu entre 28 e 31 de outubro, e o prêmio saiu na Sessão de Pesquisas e Artigos Científicos. Marcelo Gobbo, autor do artigo e editor médico da Afya, apresentou o trabalho e recebeu a distinção em 30 de outubro.

Os dados vêm do Afya MedQoL, índice criado para gerar evidências sobre o bem-estar dos médicos e orientar estratégias de cuidado. Gobbo dedicou o prêmio à psiquiatra Nise da Silveira, que morreu no mesmo dia da premiação em 1999.

Como próximo passo, os pesquisadores propõem estudos longitudinais sobre saúde mental de médicos, com escalas padronizadas como PHQ-9 e GAD-7. A meta é esclarecer a relação entre estressores ocupacionais, transtorno mental e qualidade de vida.

Ainda segundo o autor, “ouvir mais de 2 mil médicos nos deu um retrato, um recorte no tempo. O próximo passo é acompanhar esses profissionais ao longo do tempo, para entender o que vem primeiro, o estresse do trabalho, o adoecimento ou a perda de qualidade de vida, como um filme.”

Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.

Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Equipe de Jornalistas da Afya.

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