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Carreira16 fevereiro 2026

Entenda como é a atuação do médico em eventos de Carnaval

No Carnaval, médicos garantem a segurança dos foliões. Entenda como funciona o atendimento médico em grandes eventos

“Ô abre alas que eu quero passar…” O verso da marchinha tão conhecido entre os foliões, também poderia ser o refrão do médico que trabalha nos dias de Carnaval. Enquanto muitos se divertem em blocos de rua, desfiles, trios elétricos e camarotes, alguém precisa garantir que a festa continue segura.

Nesse contexto, entra o papel do médico que atua em eventos de grandes aglomerações. Durante o Carnaval, a presença de serviços de emergência médica é obrigatória para assegurar o cuidado aos participantes em meio à mistura de alegria e imprevisibilidade.

O trabalho médico vai além de “mais um plantão”. Os atendimentos ocorrem em ambientes abertos e dinâmicos, com fluxo constante de pessoas, calor intenso e consumo frequente de álcool. As formas de atuação variam conforme o porte do evento e podem incluir postos médicos fixos, ambulâncias de suporte e equipes móveis que circulam entre os foliões.

Esses plantões costumam ser organizados por empresas de medicina de eventos, contratadas por prefeituras, organizadores privados ou produtoras culturais.

 

O papel do médico que atua no Carnaval

Diferente da rotina hospitalar, a assistência médica durante o Carnaval é temporária e direcionada para o atendimento inicial, podendo ser realizada por médicos generalistas e especialistas.

O trabalho mais comum é a avaliação e estabilização do paciente, com a decisão de alta ou encaminhamento para os serviços de emergência, quando necessário.

O médico precisa, nesse tipo de serviço, ter experiência no atendimento de urgência e emergência para fazer avaliação e a estratificação de risco.  Ele deve conhecer os protocolos específicos, contar com o suporte de equipe multidisciplinar, como enfermeiros e socorristas, ter à disposição os equipamentos e suprimentos médicos adequados ao perfil da festa e acesso rápido aos pacientes.

Sempre lembrar também das estratégias de autoproteção e do cuidado com o próprio profissional, considerando que muitos atendimentos ocorrem em locais abertos e superlotados, e que podem ser instáveis.

As habilidades não técnicas também são necessárias nesse tipo de atendimento, como a boa comunicação, tomada de decisão sob pressão e trabalho em equipe para conseguir trabalhar com situações variadas e em ambientes cheios de barulho e movimento.

 

Principais tipos de atendimento no Carnaval

A maior parte dos atendimentos realizados durante o Carnaval está relacionada ao próprio clima da festa e ao comportamento dos participantes:

  • Distúrbios térmicos, incluindo hipertermia, insolação, exaustão pelo calor e desidratação;
  • Transtornos de saúde mental e psicossociais
  • Exacerbação de doenças crônicas como diabetes, asma e hipertensão;
  • Abuso de álcool e outras substâncias.

O passinho ensaiado também nem sempre sai como esperado nos blocos de rua e festas ao ar livre, podendo ser interrompido por situações de quedas, entorses, contusões, ferimentos cortantes, traumas relacionados a aglomerações, empurrões ou até episódios de agressão física e de violência sexual.

Quando necessário, o médico deve fazer o acolhimento, preservação de evidências e articulação com a rede de saúde e de segurança.

Situações de maior gravidade

A equipe também precisa estar preparada para situações de maior gravidade, incluindo emergências como parada cardiorrespiratória, com assistência rápida até que o paciente possa ser removido com segurança.

Nesses momentos, o atendimento ágil, técnico e bem coordenado fala mais alto do que qualquer refrão de marchinha — e reforça a importância do papel do médico durante o Carnaval.

Autoria

Foto de Juliana Karpinski

Juliana Karpinski

Editora médica assistente de Carreira da Afya. Médica e Jornalista formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). MBA em Gestão Estratégica pela UFPR.

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