Negociar um contrato de trabalho é uma etapa extremamente importantes na carreira médica, mas, ainda assim, muitas vezes negligenciada. Depois de anos de formação, residência e especialização, é comum que o foco continue sendo o cuidado com o paciente e o aprimoramento técnico, restando pouco espaço para lidar com questões jurídicas e administrativas. No entanto, entender como conduzir uma negociação pode ser decisivo para garantir uma trajetória profissional equilibrada e satisfatória.
Listamos abaixo cinco atitudes que devem ser tomadas e cinco que podem ser evitadas na hora de fechar um contrato profissional.

Por que a negociação é essencial
Ao contrário do que muitos pensam, negociar não significa apenas discutir salário. Um contrato médico envolve múltiplos aspectos que influenciam diretamente na qualidade de vida e no crescimento profissional. Entre eles estão:
- Remuneração: compreender o valor de mercado da sua especialidade e garantir que sua proposta esteja alinhada a ele;
- Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho: definir jornadas razoáveis, plantões bem distribuídos e períodos de descanso adequados;
- Benefícios: observar detalhes como seguro de saúde, plano de aposentadoria, auxílio para cursos ou eventos científicos;
- Desenvolvimento profissional: negociar apoio para educação continuada, mentoria e oportunidades de ascensão dentro da instituição.
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O que fazer
- Pesquise e prepare-se
Antes de assinar qualquer documento, informe-se sobre os padrões contratuais da sua especialidade e região. Relatórios e levantamentos nacionais, como a Demografia Médica do CFM, a e os dados salariais divulgados por plataformas como Catho, Glassdoor e Salario.com.br, ajudam a compreender faixas de remuneração e benefícios médios.
Também vale consultar sindicatos e conselhos regionais de medicina, que costumam divulgar parâmetros de jornada e valores de referência. Conhecer o que é habitual em sua área facilita identificar propostas fora da realidade, tanto para mais quanto para menos.
- Fundamente suas solicitações em dados
Negociar com base em informações concretas aumenta sua credibilidade. Use números para mostrar o impacto do seu trabalho, apresente indicadores de desempenho de experiências anteriores e destaque habilidades específicas que agregam valor à instituição.
- Busque orientação profissional
Contar com o apoio de um advogado especializado em contratos médicos pode evitar armadilhas comuns. Cláusulas de não concorrência, cobertura de responsabilidade civil e condições de rescisão exigem análise cuidadosa. Um especialista pode identificar pontos de risco e sugerir ajustes que protejam seus interesses.
- Tenha clareza sobre suas prioridades
Liste o que é essencial e o que pode ser negociado. Questões como remuneração, carga horária, local de atuação e oportunidades de crescimento devem estar bem definidas antes da conversa. Essa clareza ajuda a conduzir a negociação com segurança e foco.
- Pratique suas habilidades de negociação
Negociar é uma competência que pode (e deve) ser treinada. Simular a conversa com um mentor ou colega ajuda a ganhar confiança, prever objeções e manter uma postura assertiva sem perder a cordialidade.
O que evitar
- Não tenha pressa
Mesmo sob pressão, evite decisões impulsivas. Leia tudo com atenção, reflita sobre cada cláusula e só assine quando se sentir plenamente confortável.
- Não ignore os detalhes
A “letra miúda” pode esconder pontos cruciais, como metas de produtividade, regras para acúmulo de funções ou limitações de atuação após o fim do contrato. Negligenciar essas informações pode gerar conflitos no futuro.
- Não aceite a primeira proposta
A primeira oferta, em geral, é apenas um ponto de partida. Demonstrar interesse, mas também firmeza para negociar, mostra maturidade profissional.
- Não leve para o lado pessoal
Negociações envolvem expectativas e emoções, mas o foco deve ser sempre técnico. Mantenha-se calmo e objetivo, buscando um acordo justo e sustentável.
- Não olhe apenas para o salário
Um bom contrato é aquele que oferece um conjunto equilibrado de condições: remuneração compatível, ambiente saudável e perspectivas de crescimento.
Ou seja…
Negociar o próprio contrato pode parecer uma tarefa burocrática, mas é, na verdade, um ato de autovalorização. Entender seus direitos, suas prioridades e o contexto do mercado é fundamental para construir uma trajetória sólida e equilibrada. O objetivo não é apenas obter o melhor salário, mas garantir condições que permitam exercer a medicina com excelência, bem-estar e propósito.
Autoria

Redação Afya
Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.
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