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Carreira27 março 2026

A inovação médica pode romper os limites do cuidado

Saiba mais sobre uso de IA, prática médica, ética e regulação
Por Redação Afya

Como será a medicina do futuro? Essa foi uma das questões centrais do bate-papo entre Dr. Bertalan Meskó, médico e futurista, especializado em saúde digital, e Dr. Gustavo Meirelles, Diretor Médico da Afya. Durante a conversa, os especialistas apresentaram uma reflexão sobre que tipo de sistema de saúde seria capaz de manter um astronauta vivo em Marte, e o que isso pode nos ensinar sobre melhorar o cuidado em áreas remotas aqui na Terra.

Eles também conversaram sobre como a inovação tecnológica, a inteligência artificial e os novos modelos de cuidado estão transformando a medicina e redefinindo o papel de médicos e pacientes.

Confira abaixo, alguns pontos de destaque deste podcast.

Leia mais: Interpretar e aplicar tecnologias como competência clínica essencial

 

Inovações que já estão transformando a prática médica

  • Inteligência Artificial está auxiliando diagnósticos, triagem de pacientes, interpretação de exames, análise de dados clínicos e algoritmos para estimativa de riscos. Segundo Meskó, a tendência é que a IA assuma tarefas repetitivas liberando o médico para se concentrar nos casos que exigem julgamento clínico humano. “A IA vai sinalizar os casos que você terá que verificar manualmente”.
  • Sensores e dispositivos digitais capazes de coletar dados de saúde continuamente, permitindo monitoramento remoto e intervenções mais rápidas.
  • Ferramentas digitais e automação de processos que reduzem tarefas burocráticas para liberar tempo para atividades clínicas e interação com pacientes.
  • Equipamentos diagnósticos portáteis, que podem permitir que enfermeiros ou profissionais de saúde em áreas remotas coletem dados clínicos para que médicos tomem decisões à distância. “Hoje posso colocar praticamente as mesmas tecnologias em uma bolsa médica e medir dez vezes mais dados sobre o paciente”, afirmou Meskó, ao comentar como dispositivos portáteis podem ampliar o acesso ao diagnóstico.

 

Tendências na organização do cuidado

  • Uso da saúde digital para ampliar o acesso ao cuidado em regiões remotas, como comunidades rurais ou áreas de difícil acesso. Meskó destacou que cenários extremos ajudam a repensar o sistema atual. “Não podemos levar todo o equipamento, todos os medicamentos ou um exército de profissionais de saúde para Marte. Isso nos obriga a usar todas as oportunidades que a saúde digital oferece.”
  • Expansão do monitoramento remoto e acompanhamento contínuo de pacientes mesmo fora dos grandes centros. Essas tecnologias permitem que dados coletados localmente sejam analisados por profissionais à distância, melhorando o acesso ao cuidado.
  • Maior integração entre profissionais de saúde, com enfermeiros, médicos e pacientes colaborando no cuidado. “A ideia geral é que enfermeiros e pacientes desempenhem um papel tão importante quanto os médicos dentro da equipe de saúde.”
  • Crescimento de áreas como medicina do estilo de vida, que integra prevenção, longevidade e atenção primária, ajudando pacientes a tomar decisões mais informadas sobre saúde. Para Meskó, essa abordagem representa uma mudança importante na lógica da medicina. “A medicina de estilo de vida é uma das especialidades mais empolgantes hoje, porque ajuda pacientes a lidar com prevenção e longevidade antes mesmo de surgirem doenças.”

Veja também: Implicações éticas da manipulação cerebral em pesquisa e terapia

 

Aspectos éticos, regulatórios e desafios práticos

  • Garantir transparência e responsabilidade no uso da inteligência artificial, incluindo discussão sobre vieses algorítmicos e segurança das informações médicas.
  • Regulamentar de forma adequada softwares médicos para que as novas tecnologias sejam seguras e adaptadas aos fluxos de trabalho clínico.
  • Equilibrar inovação tecnológica com a preservação da relação médico-paciente. As ferramentas digitais precisam manter o médico apto para continuar à frente do julgamento clínico, mesmo com suporte tecnológico. “Precisamos aprender a usar tecnologias sem perder o toque humano”, destacou.
  • Preparar profissionais de saúde para lidar com o crescente volume de dados gerados por pacientes em aplicativos, sensores e dispositivos de monitoramento.

Leia mais: Evolução tecnológica e empreendedorismo

A prática médica atual e o médico futurista

  • Ferramentas inovadoras são mais eficazes quando integradas ao sistema existente, não simplesmente como adições. “Se um radiologista tiver que analisar cinquenta exames por dia, isso não é saudável”, afirmou Meskó. “Deve haver alguns casos que realmente exigem a expertise humana, e o restante pode ser automatizado.”
  • Médicos precisarão desenvolver novas competências, incluindo alfabetização digital, capacidade de trabalhar com inteligência artificial e habilidades de comunicação em ambientes presenciais e virtuais. Entre essas novas habilidades, ele destaca a chamada engenharia de prompt. “A engenharia de prompt é a habilidade emergente mais importante da profissão médica hoje.”
  • O paciente tende a assumir um papel mais ativo no cuidado, trazendo dados, informações e perguntas baseadas em ferramentas digitais e inteligência artificial. “Os pacientes agora podem contribuir com insights, dados médicos e informações que coletam sobre si mesmos”, afirmou.
  • O futuro da medicina será mais colaborativo. “A equipe médica do futuro será formada por profissionais de saúde, pacientes empoderados e inteligência artificial trabalhando juntos na tomada de decisões”, concluiu Meskó.

#Matéria atualizada pela editora-médica Juliana Karpinski.

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Autoria

Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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