A inteligência artificial esteve no centro de boa parte das discussões do Afya Summit 2026, realizado neste sábado, 29 de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo. Ao longo do encontro, uma mensagem ganhou força: falar sobre o futuro da Medicina não significou discutir apenas algoritmos, dados e novas ferramentas. Significou também voltar a atenção para aquilo que continua essencial no cuidado — a relação entre médicos e pacientes.
Em sua terceira edição, o evento teve como tema “Da revolução tecnológica à revolução humana” e reuniu médicos, pesquisadores, lideranças e especialistas nacionais e internacionais. Durante o dia, a programação percorreu temas como tecnologias exponenciais, aplicações práticas da inteligência artificial, interoperabilidade, liderança, ética, comunicação médica e humanização.

Tecnologia avançou e o médico permanece no centro da decisão
Daniel Kraft, médico, cientista e especialista em inovação em saúde, abriu a programação científica com uma discussão sobre as tecnologias que já estavam redefinindo a saúde.
Na sequência, Guilherme Rodrigues, oftalmologista e docente da Afya Educação Médica, Dayanna Quintanilha, médica e gerente de pesquisa da Afya, e Eduardo Lapa, médico e diretor médico da Afya, abordaram aplicações reais da inteligência artificial na assistência, além de seus riscos, limites e do uso responsável dessas ferramentas.
Mais do que perguntar o que a inteligência artificial consegue fazer, as discussões do Summit focaram em outra questão: como utilizar essas possibilidades sem transferir à tecnologia responsabilidades que continuam pertencendo ao profissional médico?
Dados e inteligência artificial podem devolver tempo ao cuidado
A transformação digital apareceu ainda sob outra perspectiva. Jacson Barros, da Amazon Web Services, discutiu interoperabilidade, inteligência analítica e saúde digital, enquanto o painel liderado por Gustavo Meirelles, Vice-presidente médico, abordou as competências necessárias aos profissionais que conduzirão essas mudanças.
Nesse contexto, a tecnologia não apareceu apenas como uma ferramenta para ampliar capacidade diagnóstica ou processar grandes volumes de informação. Ela também foi apresentada como uma possibilidade de reduzir processos operacionais e apoiar decisões, abrindo mais espaço para aquilo que depende diretamente do médico: interpretar contextos, conversar, exercer pensamento crítico e cuidar.
Quanto mais tecnológica a Medicina, mais a humanização deve ser potencializada
A transição da revolução tecnológica para a revolução humana tornou-se especialmente evidente na segunda metade da programação.
Brian Solis, futurista digital, levou ao encontro a provocação sobre o que se torna essencial em um cenário cada vez mais tecnológico.
Em seguida, Drauzio Varella, médico e escritor, abordou a aceleração tecnológica a partir da necessidade de reflexão ética. Sua fala foi carregada de experiências vivenciadas por todo o Brasil, mostrando como a Medicina tem evoluído ao longo dos anos e como o “básico” é sempre o centro: o olhar e a atenção ao paciente.
Dr. Drauzio fez questão de ressaltar as capacidades que os médicos devem sempre priorizar: pensamento crítico, comunicação, ética, empatia, escuta e capacidade de compreender o paciente para além dos dados clínicos.
O avanço tecnológico, portanto, não eliminou a necessidade de humanização. Ao contrário: colocou-a ainda mais em evidência.
Logo depois, Rafael Kiso, da mLabs, e Isabela Dupin, da Afya, apresentam “Comunicação e posicionamento médico na era digital: como construir presença, autoridade e reputação no ambiente digital”.
Humanização encerrou a jornada do Afya Summit
Esse percurso encontrou seu ponto culminante na participação da médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes, médica e escritora, responsável pela palestra “Existe medicina sem humanização? A mais antiga e a mais negligenciada das tecnologias clínicas”.
O encerramento ajudou a sintetizar a proposta construída durante o dia. Se inteligência artificial, interoperabilidade e análise de dados ampliaram as possibilidades da Medicina, continuaram existindo dimensões do cuidado que não puderam ser reduzidas a uma resposta automatizada.
O futuro da Medicina também é uma discussão sobre pessoas
Ao reunir IA, dados, liderança, ética, comunicação e humanização em uma mesma jornada, o Afya Summit 2026 mostrou que essas agendas não precisaram ocupar lados opostos.
O desafio apresentado aos médicos não foi escolher entre tecnologia ou humanização, e sim compreender como utilizar inovação, dados e inteligência artificial para fortalecer uma Medicina mais eficiente sem abrir mão de julgamento clínico, responsabilidade e vínculo com o paciente.
E a conversa continua
Acompanhe o Portal Afya para conferir os principais conteúdos e desdobramentos do Afya Summit 2026 e prepare-se para estar conosco na próxima edição.
O futuro da Medicina já começou — e queremos encontrar você lá.
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