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Cardiologia28 junho 2026

O escore de cálcio é útil para pacientes com lipoproteína(a) aumentada 

Estudo buscou avaliar a interação entre níveis elevados de lipoproteína(a) e o escore de cálcio, e a associação da Lp(a) com o risco de DCVA

A lipoproteína(a) ([Lp(a)] é uma proteína determinada geneticamente, que se encontra aumentada em 20% da população e está fortemente associada a doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), porém sua manifestação é heterogênea na população. 

O escore de cálcio coronário (ECC), avaliado pela tomografia computadorizada de coração, é um preditor de risco de DCVA em pacientes assintomáticos e alguns estudos já tentaram avaliá-lo em conjunto com a Lp(a), com resultados controversos. 

Recentemente foi publicado um estudo que avaliou a interação entre Lp(a) elevada e ECC e a associação entre Lp(a) com risco de DCVA e doença coronária ao longo de diferentes níveis de ECC em um grande coorte populacional dos Estados Unidos. Os principais pontos desse estudo encontram-se a seguir. 

O escore de cálcio é útil para pacientes com lipoproteína(a) aumentada 

Métodos do estudo e população envolvida 

Foi um estudo de coorte que incluiu participantes dos estudos MESA, CARDIA, FHS-OS e JHS. Todos são estudos de coorte prospectivos, sendo que o MESA incluiu pacientes sem DCV de base com objetivo de avaliar fatores de risco (FR) para DCVA, o CARDIA incluiu pacientes jovens com objetivo de avaliar FR para doença coronária, o FHS-OS incluiu filhos dos participantes do estudo de Framingham e o JHS avaliou FR para DCV em negros. 

Foram incluídos todos que tinham avaliação com Lp(a), ECC, FR cardiovasculares e documentação da ocorrência de eventos cardiovasculares. O desfecho primário era doença coronária (infarto agudo do miocárdio (IAM) fatal e não fatal ou revascularização coronária) e DCVA (doença coronária + acidente vascular cerebral (AVC) fatal ou não fatal). 

Resultados 

Foram incluídos 11.319 participantes, sendo 5.306 com ECC 0 e Lp(a) ≤ 50 mLg/dL, 1.309 com ECC 0 e Lp(a) > 50 mg/dL, 3.724 com ECC > 0 e Lp(a) ≤ 50 mg/dL e 980 com ECC > 0 e Lp(a) > 50 mg/dL.  

Na avaliação geral, Lp(a) teve associação com ocorrência de DCVA quando avaliada de forma contínua (HR por DP: 1,09; IC95% 1,04-1,15) e quando Lp(a) > 50mg/dL (HR: 1,24; IC95% 1,09-1,141), sem ajuste para o ECC. Resultado semelhante foi encontrado para a ocorrência de doença coronária (HR por DP: 1,13; IC95% 1,06-1,21 e HR para Lp(a) 1,32; IC95% 1,12-1,55).  

ECC > 0 foi associado com ocorrência de DCVA (HR: 2,44; IC95% 2,14-2,77) e doença coronária (HR: 3,30; IC95% 2,78-3,92), sem ajuste para Lp(a). 

Quando ambos foram avaliados em conjunto, Lp(a) manteve associação significativa com eventos de DCVA. O maior risco encontrado foi quando Lp(a) > 50 mg/dL e ECC > 0. Quando ECC era 0 e Lp(a) > 50 mg/dL, o risco era um pouco maior que quando ECC 0 e Lp(a) ≤ 50 mg/dL. Resultados semelhantes foram encontrados ao se estratificar os valores do ECC, sendo o risco maior quanto maior o ECC para ambos os grupos de Lp(a). Não houve diferença em relação a idade e sexo. 

Saiba mais: Diretriz americana de dislipidemia 2026: destaques

Comentários e conclusão 

Apesar de ser estudo observacional com possível viés de inclusão (pacientes com eventos prévios foram excluídos) e de tratamento (pacientes com exames alterados provavelmente foram tratados mais agressivamente), este é o maior estudo que avaliou a associação entre lipoproteína(a) e ECC com DCVA e doença coronária 

Ambos foram associados de forma independente à ocorrência dos eventos e o maior risco encontrado foi no grupo que tinha lipoproteína(a) e ECC aumentados. O risco dos que tinham ECC 0 e Lp(a) > 50 mg/dL era um pouco mais alto que dos que tinham ECC 0 e Lp(a) ≤ 50 mg/dL, mas a taxa absoluta de eventos permaneceu baixa no primeiro grupo, o que sugere que o ECC pode ser útil para avaliar o risco individual de pacientes com Lp(a) aumentada e individualizar os riscos e o tratamento. 

Autoria

Foto de Isabela Abud Manta

Isabela Abud Manta

Editora de Cardiologia da Afya. Médica pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), especialista em Clínica Médica pela mesma Instituição e em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HCFMUSP). Pós graduação em Cardio-Oncologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Além da Afya, atua em consultório, hospitais públicos e privados e é instrutora da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein.

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