Ao longo dos últimos anos houve grande progresso no entendimento da fisiopatologia, sintomas, diagnóstico e tratamento da angina e infarto agudo do miocárdio (IAM). As diferentes sociedades médicas fizeram uma classificação das síndromes coronarianas agudas (SCA) em conjunto, o que facilitou o diagnóstico e tratamento dos pacientes, porém essa nomenclatura deixa um pouco de lado as causas não obstrutivas de SCA.
Além disso, surgiram diversas terminologias para as manifestações das doenças coronárias estáveis e essas acabam gerando algumas confusões. Como exemplos temos os termos “doença coronária estável”, “doença isquêmica estável do coração” e “doença coronária crônica”.
Assim, está sendo proposta uma uniformização dos termos, no intuito de haver um melhor alinhamento e facilitar a descrição da doença no geral.
A mudança
O embasamento para esta mudança vem do fato de a doença aterosclerótica coronária (DAC) obstrutiva poder se manifestar de diversas formas (angina estável, isquemia miocárdica transitória e IAM) e esses mesmos quadros poderem ter origem por outros mecanismos, que ocorrem de forma isolada ou em conjunto com obstrução decorrente de DAC epicárdica.
As muitas causas não obstrutivas não fazem parte da nomenclatura atual e outro ponto para se considerar é que DAC obstrutiva nem sempre leva à isquemia. Ainda, isquemia pode se manifestar com angina ou ser “silenciosa” e mesmo assim gerar repercussões. A ausência de sintomas costuma ser mais frequente em diabéticos, que têm disfunção autonômica e percepção de dor alterada, e a ausência de angina não deve ser sinônimo de baixo risco cardiovascular.
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Assim, uma nomenclatura mais prática e acurada pode refletir melhor esses casos, tanto no contexto agudo quanto não agudo. Uma proposta seria deixar de usar o termo coronária e passar a utilizar síndrome ao invés de doença, sendo a terminologia proposta para o grupo de doenças “síndrome isquêmica”.
Isso vem da ideia de que usar o termo coronária reduz a importância de alterações como disfunção microvascular, compressão extramural da microcirculação, embolização microvascular ou ponte miocárdica. Alguns estudos mostraram ausência de doença obstrutiva em até 40% dos pacientes com isquemia por disfunção vasomotora ou doença de microcirculação.
Além disso, o termo “crônico” muitas vezes não dá a dimensão do risco de forma acurada e pode levar ao tratamento não otimizado. O termo “não agudo” ao invés de crônico ou estável talvez seja mais adequado.
Fica então a proposta de adoção do termo síndromes isquêmicas miocárdicas, englobando os diferentes fenótipos da angina e isquemia miocárdica. Esse grande grupo seria dividido em síndromes isquêmicas miocárdicas agudas e síndromes isquêmicas miocárdicas não agudas.
Pacientes com IAM com ou sem supra e com angina instável por ruptura ou erosão de placa aterosclerótica continuariam sendo classificados no subgrupo de SCA, com objetivo de diferenciá-los do grupo que tem síndrome isquêmica aguda por outras causas, com outros tipos de tratamento recomendados.
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