A inflamação tem papel crucial no desenvolvimento da placa aterosclerótica e novos alvos terapêuticos tem focado nos efeitos anti-inflamatórios de medicações.
Uma dessas medicações é a colchicina, que já mostrou benefício cardiovascular em alguns estudos, principalmente nos pacientes com evento agudo. Um estudo avaliou a placada aterosclerótica com exame de imagem mostrou melhora da espessura da capa fibrosa e área luminal mínima com colchicina comparada a placebo.
No terceiro dia do congresso do American College of Cardiology (ACC 2025) foi apresentado um trabalho que avaliou se colchicina em baixa dose (0,5mg/dia) reduziu progressão de placa aterosclerótica comparado a placebo em pacientes com doença aterosclerótica coronária (DAC) estável.
Métodos do estudo e população envolvida
Foram incluídos pacientes entre 30 e 85 anos com DAC documentada por angiografia coronária, angiotomografia de coronária ou escore de cálcio > 400. Os pacientes deveriam estar estáveis clinicamente e não ter contraindicações a colchicina. Foram excluídas gestantes ou lactantes, pacientes com taxa de filtração glomerular < 50ml/min/1,73m2, insuficiência cardíaca avançada ou doença valvar moderada a importante.
Os pacientes foram randomizados para receber colchicina 0,5mg 1x ao dia ou placebo e realizaram exame de angiotomografia (angioTC) de coronárias no início do estudo e após 52 semanas de seguimento. O desfecho primário era a mudança no volume de atenuação da placa comparado ao placebo.
Cada grupo constou com 36 pacientes na análise final, com idade média de 65,4 anos no grupo colchicina e 63,8 no placebo e quase a totalidade dos pacientes era do sexo masculino. As características eram semelhantes entre os grupos em relação aos fatores de risco e uso de medicações.
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No seguimento de 1 ano a colchicina não levou a mudança no volume de atenuação da placa comparado ao placebo, porém levou a redução do volume da placa aterosclerótica em 1,1%, com p=0.015. Além disso, houve tendência de redução da progressão de outros componentes do desfecho secundário e redução do PCR ultra-sensível nos pacientes com colchicina, sem mudança nos pacientes do grupo placebo. A mudança no volume da placa não teve relação com os valores iniciais do PCR.
Comentários e conclusão
Esse foi um estudo piloto, com número pequeno de pacientes e como estes eram estáveis, a atenuação da placa já era muito baixa na avaliação inicial dos pacientes dos doi grupos. Porém, houve redução do volume total da placa de 1,1%. Apesar de este valor parecer baixo, redução de 1% no volume da placa tem relação com redução de 25% no risco de eventos.
Assim, estudos maiores são necessários para confirmar esses achados, porém parece que a colchicina tem efeito na redução do volume da placa.
Hoje (31/03), às 20h, acompanhe a live de resumo do congresso com a Afya Cardiopapers!
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