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Anestesiologia20 março 2026

Nova definição da classificação ASA: O que o anestesiologista precisa saber?

Atualização da classificação ASA 2026 detalha comorbidades por categoria e reforça seu papel na avaliação do risco cirúrgico pré-operatório.

O sistema de classificação do estado clínico do paciente pela American Society of Anesthesiology (ASA) vem sendo usado desde 1961 com o propósito de estabelecer as condições clínicas pré-operatórias de cada paciente de acordo com as suas comorbidades prévias.  

Essa classificação junto com a análise de outros fatores como tipo de cirurgia, idade, uso de medicações, necessidade de hemoderivados e fragilidade do paciente, ajudam o profissional anestesista a estimar o risco cirúrgico pré-operatório. Por exemplo, pacientes com estado físico classificado em ASA 3 ou mais, geralmente necessitam de melhor avaliação pré-operatória e maiores cuidados em todos os tempos cirúrgicos comparados com pacientes ASA 2 e ASA 3. 

Apesar do estado físico do paciente poder ser inicialmente estabelecido por outros profissionais de saúde que estejam previamente avaliando esse paciente, a decisão final será sempre feita após a avaliação do profissional anestesista. 

A ASA em janeiro de 2026 realizou um update do seu último sistema de classificação incluindo um número de comorbidades específicas para cada categoria. 

Classificação asa atual 

ASA 1 

Paciente normal, saudável e sem comorbidades. Não fumante e não tabagista. 

ASA 2 

Paciente com alguma comorbidade sistêmica leve sem disfunção relevante incluindo as seguintes condições: Tabagista ativo, etilista social, gestante, obesidade (IMC >30 e <40), diabetes e hipertensão controlados, pneumopatia leve, insuficiência cardíaca congestiva NYHA classe 1, disfunção cognitiva leve, apneia do sono em uso de CPAP. 

Pacientes gestantes incluídas: Gestação normal e gestação com hipertensão e diabetes controladas. 

Pacientes pediátricos incluídos: Doença cardíaca cianótica assintomática, disritmias controladas, asma sem episódios de exacerbação, epilepsia bem controlada, diabéticos não insulino dependentes, doença oncológica em remissão, autismo com limitações medianas e história de hipertermia maligna. 

ASA 3 

Paciente com uma ou mais comorbidades severa e que tenha uma grau de disfunção substancial incluindo as seguintes condições: DPOC, obesidade com IMC >40, hepatite aguda, pacientes em diálise, alcoolista, alteração cognitiva significativa, portador de marcapasso, cirrose compensada, hipertensão ou diabetes mal controlada, fração de ejeção diminuída ou insuficiência cardíaca com classe NYHA 2 ou 3, história de infarto, acidente vascular cerebral, embolia pulmonar ou doença coronariana e apneia obstrutiva do sono grave, independente do uso de CPAP. 

Pacientes gestantes incluídas: Pré eclampsia, diabetes gestacional mal controlada e doença trombofílica que necessite de anticoagulação. 

Pacientes pediátricos incluídos: Patologia cardíaca congênita não corrigida, porém estável, asma sem exacerbação porém mal controlada, epilepsia mal controlada, doença oncológica ativa, falência renal, distrofia muscular, fibrose cística, história de transplante de órgão, malformações do sistema nervoso sintomáticas, hidrocefalia, prematuro < 60 semanas, autismo com limitações severas, doença metabólica, bebês a termo, porém abaixo de 6 semanas de vida e nutrição parenteral prolongada. 

ASA 4 

Paciente com comorbidade severa em constante ameaça de óbito incluindo as seguintes condições: choque, sepse, infarto ou acidente vascular cerebral ou embolismo recente (há menos de 3 meses), coagulação intravascular disseminada, cirrose descompensada, alteração cognitiva severa, isquemia miocárdica em andamento ou disfunção valvular grave, síndrome da angústia respiratória (SARA), insuficiência renal sem controle com diálise regularmente, diminuição significativa da fração de ejeção ou insuficiência cardíaca com classe NYHA 4. 

Pacientes gestantes incluídas: Pré eclâmpsia com complicações como síndrome HELP, cardiomiopatia e cardiopatia descompensada. 

Pacientes pediátricos incluídos: patologia cardíaca congênita sintomática, insuficiência cardíaca congestiva, sequelas ativas de prematuridade, encefalopatia hipoxêmica aguda, choque, sepse, coagulação intravascular disseminada, cardioversor implantado, em prótese ventilatória, endocrinopatia, trauma grave, pneumopatia grave e doença oncológica avançada. 

ASA 5 

Paciente moribundo sem esperança de sobrevida durante o procedimento incluindo as seguintes condições: politraumatizado com instabilidade, disfunção múltipla de órgãos, hemorragia intracraniana com efeito de massa, ruptura de aneurisma torácico ou abdominal e isquemia mesentérica com cardiopatia significativa. 

Pacientes gestantes incluídas: Ruptura uterina e embolismo amniótico. 

Pacientes pediátricos incluídos: Hemorragia intracraniana maciça com efeito de massa, paciente em ECMO, falência respiratória, hipertensão maligna em crise hipertensiva, insuficiência cardíaca descompensada, encefalopatia hepática, isquemia mesentérica e falência múltipla de órgãos. 

ASA 6 

Paciente com morte cerebral declarada cujos órgãos serão removidos para doação. 

Em toda a cirurgia de emergência a classificação ASA é acompanhada da letra E. 

A ASA informa também que apesar da discriminação das comorbidades, outras condições não mencionadas também podem ser incluídas tendo sempre como base o significado original de cada grau de classificação. 

Autoria

Foto de Gabriela Queiroz

Gabriela Queiroz

Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Ministério da Educação (MEC) ⦁ Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Centro de Especialização e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (CET/SBA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) ⦁ Membro da American Academy of Pain Medicine ⦁ Ênfase em cirurgias de trauma e emergência, obstetrícia, plástica estética reconstrutiva e reparadora e procedimentos endoscópicos ⦁ Experiência em trauma e cirurgias de emergência de grande porte, como ortopedia, vascular e neurocirurgia ⦁ Experiência em treinamento acadêmico e liderança de grupos em ambiente cirúrgico hospitalar ⦁ Orientadora acadêmica junto à classe de residentes em Anestesiologia ⦁ Orientadora e auxiliar em palestras regionais e internacionais na área de Anestesiologia.

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