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Anestesiologia16 maio 2026

Exposição à anestesia geral e o declínio cognitivo

Estudo avalia se a exposição prolongada à anestesia geral pode estar associada a declínio cognitivo a longo prazo.

O declínio cognitivo é uma condição que acomete a população em geral, além do fator idade, outros fatores como hipertensão, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares contribuem de forma significativa para o aumento da incidência dessa condição. 

No cenário anestésico-cirúrgico, existe uma preocupação na associação entre declínio cognitivo e exposição ao procedimento, uma vez que existe uma tendência atual no aumento de procedimentos cirúrgicos em população mais idosa. 

As desordens cognitivas perioperatórias são complicações frequentes que ocorrem principalmente após procedimentos realizados sob anestesia geral em uma incidência de 11,7% a 63%, podendo ocorrer em todos os estágios cirúrgicos desde o pós-operatório imediato até mais de 12 meses pós procedimento. 

Embora declínios cognitivos transitórios pós cirurgia não cardíaca e anestesia já é uma complicação estabelecida, não existem estudos robustos sobre os efeitos a longo prazo. 

Porém, uma análise do Maastricht Aging Study (MAAS) investigou padrões de cognição ao longo dos anos e a influência de diferentes fatores na população em geral em um período de 12 anos de seguimento. Esse estudo visa analisar a hipótese da exposição prolongada a cirurgias com anestesia geral estar relacionada ao aumento do declínio cognitivo. 

exposição à anestesia geral

Metodologia 

Esse é um estudo prospectivo realizado na Holanda com participantes sem doenças psiquiátricas ou condições neurológicas que possam impactar diretamente a função cognitiva, com idade entre 24 a 86 anos em um total de 1823 pacientes adultos. 

Critérios de exclusão: patologia neurológica crônica, doença cerebrovascular e uso de drogas psicotrópicas. Os pacientes foram divididos de acordo com idade, sexo e ocupação principal. 

Participantes informavam se haviam ou não sido submetidos a cirurgia, quantidade de cirurgias e tipo de procedimento. Depois foram entrevistados sobre detalhes dos procedimentos aos quais foram submetidos e um anestesista experiente do corpo clínico do estudo estimava a duração normal de cada procedimento em condições naturais e o tempo sob anestesia geral, e os procedimentos foram divididos por tempo e duração. Psicólogos realizaram testes neuropsicológicos com foco em memória verbal, velocidade seletiva de atenção mental, execução de tarefas e velocidade de processamento de informações durante todo o período de follow up de até 12 anos. 

Principais achados 

A exposição prolongada a anestesia geral, tanto em duração quanto em quantidade, foi associada a um declínio na função executiva (P<,05), declínio da velocidade mental e atenção (P<,001) e declínio na velocidade de processamento de informações (P<,005) durante todo o período de análise de follow up. 

Além disso houve um efeito negativo em todos as funções cognitivas em geral principalmente em pacientes mais idosos ou em pacientes com baixo grau de educação escolar. 

Outros fatores extrínsecos como tabagismo e alcoolismo e comorbidades como hipertensão, diabetes, doença coronariana e hipercolesterolemia também impactaram negativamente nas funções cognitivas, principalmente as relacionadas a função executiva, atenção seletiva, velocidade mental e velocidade de processamento de informações. 

Mensagem final 

Apesar das limitações do estudo como a análise de opinião pessoal dos participantes, a não avaliação da ocorrência de complicações intra e pós-operatórias e diferença de tipo de anestesia não terem sido considerados, o estudo concluiu que existe uma hipótese robusta que a exposição prolongada a cirurgias sob anestesia geral pode afetar negativamente a função cognitiva dos pacientes.  

Embora os efeitos sejam menores do que os efeitos da própria idade, houve uma redução significativa em várias funções cognitivas com a exposição prolongada à anestesia geral, o que torna bastante relevante no escopo das atividades diárias. 

A gestão e prevenção do estilo de vida continuam sendo cruciais para a promoção de um envelhecimento cognitivo saudável e podem desempenhar um papel significativo no manejo do envelhecimento da população cirúrgica.

Autoria

Foto de Gabriela Queiroz

Gabriela Queiroz

Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Ministério da Educação (MEC) ⦁ Pós-Graduação em Anestesiologia pelo Centro de Especialização e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (CET/SBA) ⦁ Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) ⦁ Membro da American Academy of Pain Medicine ⦁ Ênfase em cirurgias de trauma e emergência, obstetrícia, plástica estética reconstrutiva e reparadora e procedimentos endoscópicos ⦁ Experiência em trauma e cirurgias de emergência de grande porte, como ortopedia, vascular e neurocirurgia ⦁ Experiência em treinamento acadêmico e liderança de grupos em ambiente cirúrgico hospitalar ⦁ Orientadora acadêmica junto à classe de residentes em Anestesiologia ⦁ Orientadora e auxiliar em palestras regionais e internacionais na área de Anestesiologia.

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