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Saúde1 outubro 2026

Estudo associa sedentarismo prolongado a mais mortes por câncer

Análise de 91 mil adultos do UK Biobank indica que interromper o sedentarismo prolongado com atividade física se associa a menor risco oncológico.

Pesquisadores da Universidade de Glasgow e da Harvard T.H. Chan School of Public Health associaram o sedentarismo prolongado a maior mortalidade por câncer. O estudo saiu em 2 de julho de 2026 na PLOS Medicine, com dados de acelerômetro de 91.292 adultos do UK Biobank. Os achados sugerem que o modo de acumular o comportamento sedentário pode influenciar o risco oncológico.

Assinada em primeira autoria por Ziyi Zhou, a análise seguiu os participantes por mediana de 12,38 anos, após uma semana de acelerômetro no pulso. Blocos prolongados foram definidos como pelo menos 30 minutos com 90% ou mais de tempo sedentário.

Mulher asiática recostada sobre o sofá com prato vazio sobre as pernas

Risco de morte 9% maior acompanha cada hora de comportamento sedentário em blocos

Cada hora diária de sedentarismo prolongado se associou a risco 9% maior de morte por câncer (HR 1,09; IC 95% 1,06 a 1,11). O padrão se repetiu na incidência total e nos cânceres ligados à obesidade e ao DM2. Já cada hora de sedentarismo interrompido correspondeu a mortalidade 18% menor (HR 0,82; IC 95% 0,78 a 0,86).

O modelo principal considerou fatores sociodemográficos, tabagismo, álcool e dieta. Ajustes extras para IMC e comorbidades não modificaram materialmente os resultados.

Saiba mais: Inca projeta aumento dos casos de câncer no Brasil entre 2026 e 2028

Modelos de substituição associam atividade física leve a menor mortalidade

Trocar 1 hora diária de sedentarismo prolongado por atividade física leve se associou a mortalidade oncológica 12% menor (HR 0,88; IC 95% 0,79 a 0,99). Substituir 30 minutos por atividade moderada correspondeu a risco 8% menor (HR 0,92; IC 95% 0,86 a 0,99). Para mortalidade, a troca de 5 minutos por atividade vigorosa não alcançou significância.

Na incidência, essa troca se associou à maior redução entre as substituições, com HR 0,89 para cânceres ligados ao DM2. Já trocar blocos prolongados por sedentarismo interrompido, sem atividade física, não mostrou associação significativa. Segundo os autores, a atividade leve pode ser mais viável para pessoas muito sedentárias, em geral idosas e com multimorbidade.

Saiba mais: 1,8 bilhão de pessoas estão sob risco de saúde devido ao sedentarismo, diz OMS

Quais limitações o uso do acelerômetro por sete dias impõe aos achados?

Uma semana de medição pode não refletir o hábito durante o seguimento. O desenho observacional não descarta confusão residual nem comprova causalidade, e os voluntários do UK Biobank não representam a população britânica.

Os autores defendem que os achados sobre sedentarismo prolongado sejam confirmados em estudos de intervenção. Eles afirmam que nenhuma diretriz atual de atividade física contempla a atividade física leve.

Autoria

Foto de Giovanna Del Carlo

Giovanna Del Carlo

Editora de Conteúdo da Afya. Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA Pós-graduada pela PUC Minas

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