Foi publicado no primeiro semestre deste ano as novas atualizações da Associação Europeia de Urologia (EAU) reunidas no guideline da sociedade sobre screening, diagnóstico e tratamento local do Câncer de próstata. Vale embrar que a prevalência de tal câncer vem aumentando, devido ao aumento da expectativa de vida, maior acesso a sistemas de saúde e acesso a informação. Os fatores de risco para tal patologia são díade avançada, história familiar, ancestralidade africana, alterações nos genes BRCA 2, MSH 2 e MSH 6.
As recomendações da EAU reúnem as melhores evidências disponíveis com o objetivo de atualizar o especialista e orientá-lo na tomada de decisão multidisciplinar que, associado ao raciocínio clínico, podem promover a melhora da qualidade de vida do paciente.
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Epidemiologia e diagnóstico precoce
O diagnóstico precoce no câncer de próstata é discutido frequentemente entre as maiores sociedades de urologia do mundo. Na atualização de 2026 da EAU recomenda-se que o rastreio seja adaptado ao risco.
Iniciar avaliação a partir dos 50 anos de idade, ou antes em caso de histórico familiar relevante, para homens com expectativa de vida superior a 10-15 anos. Se houver expectativa de vida inferior a 15 anos, não há benefício no diagnóstico precoce.
A estratégia diagnóstica segue sendo com dosagem de PSA e seus comemorativos, sendo um dos melhores preditores do câncer de próstata. Elevações de PSA (3-10 ng/ML) devem ser confirmadas dentro de algumas semanas. Recomenda-se evitar, antes do exame, relação sexual, ejaculações, manipulações no trato urinário inferior, pois são situações que podem levar ao aumento do antígeno.
A densidade do PSA auxilia na decisão de biopsiar a próstata. Valores abaixo de 0,09 ng/ml apresentam baixo risco de neoplasia da próstata. A ressonância multiparamétrica (RMM) da próstata pré biópsia ganhou de ver o seu lugar, pois reduz biópsias invasivas desnecessárias e melhora a detecção de tumores clinicamente significativos.
Biópsia prostática e estadiamento
A biópsia da próstata está indicada quando houver lesão suspeita na RMM. Recomenda-se a biópsia direcionada (pelo menos 3-5 fragmentos) e/ou biópsia perilesional/regional, evitando desta forma a biópsia sistemática do lobo contralateral em lesões unilaterais. A via transperineal é preferível pois reduz o risco de infecção e sepse.
O estadiamento segue o padrão TNM da UICC 2025. Na atualização de 2026 do guideline da EAU, outra recomendação que ganhou força nos últimos anos é a utilização do PET PSMA como modalidade mais sensível e acurada para o estadiamento nodal e metastático em pacientes de alto risco.
Recomendações de tratamento para câncer de próstata
- Vigilância ativa e conduta expectante
- Watchful waiting: indicado para pacientes assintomáticos com expectativa de vida inferior a 10 anos;
- Vigilância ativa: recomendação forte para pacientes de baixo risco com expectativa de vida superior a 10 anos, sendo oferecida em casos selecionados de risco intermediári (ISUP 2 / gleason 3+4, baixo volume, até 3 fragmentos positivos). Pacientes ISUP 3 devem ser excluídos da vigilância ativa.
- Tratamento local curativo
- Prostatectomia radical: opção padrão para pacientes com risco intermediário ou alto risco e mais de 10 anos de expectativa de vida. Atentar a indicação de linfadenectomia.
- Radioterapia
- Varia de acordo com o risco. Se risco intermediário, é indicado radioterapia com doses escalonadas ou hipofracionamento moderado assoaca a terapia de depreciação androgênica (ADT) de curta duração (4-6 meses);
- Alto risco: radioterapia associada a ADT de longa duração (2-3 anos).
- Braquiterapia
- Reservado como opção para pacientes de risco intermediário com boa função urinária
- Doença localmente avançada e cN1
- Recomenda-se radioterapia no tumor primário e na pelve combinada a ADT de longa duração, com adição de abiraterona por 2 anos.
Saiba mais: Atualizações 2026 do guideline da NCCN sobre câncer de próstata
O que levar para a prática?
A decisão de investigar e rastrear um paciente deve se basear na expetativa de vida dele, não havendo benefícios de tratamento agressivo se expectativa de vida menor que 10 anos. A confirmação da elevação do PSA é fundamental, visto haver inúmeros fatores confundidores que elevam o antígeno. Vigilância ativa é padrão ouro em neoplasias de baixo risco. Evite screening e tratamentos sem indicação.
Autoria

Caio Henrique da Silva Teixeira
Conteudista médico na afya. Formado em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com residência médica em Cirurgia Geral pelo Hospital Municipal Souza Aguiar (2025), atualmente em residência de Urologia pelo Hospital Federal do Andarai.
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