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Terapia Intensiva12 junho 2026

SOFA 2 melhora a predição de mortalidade e identificação da sepse

Estudo mostra que o SOFA 2 supera a versão original na identificação da sepse e na predição de mortalidade hospitalar.

O escore SOFA 2 foi recentemente lançado como uma atualização da sua primeira versão, publicada em 1996. Nesta nova versão, algumas pontuações foram revisadas, com limiares diferentes principalmente nos sistemas respiratório, cardiovascular e renal.

Um exemplo é a relação PaO₂/FiO₂: agora, pontua-se 1 ponto quando o valor é menor que 300, enquanto o limiar anterior era 400. Originalmente, o SOFA foi desenvolvido para acompanhar o grau de disfunção orgânica em pacientes graves. Posteriormente, passou a ser explorado também como ferramenta de discriminação de mortalidade e, em 2016, foi incorporado à definição de sepse, considerando aumento de 2 pontos ou mais.

O objetivo deste estudo foi avaliar, em bases de dados chinesas e norte-americana, se a nova versão do escore SOFA é capaz de predizer sepse e mortalidade hospitalar em pacientes com suspeita de infecção internados em UTI.

identificação da sepse

Métodos

Os autores analisaram dados de uma coorte multicêntrica envolvendo três universidades chinesas — Pequim, Guizhou e Zunyi — e utilizaram também a base norte-americana MIMIC-IV, da Universidade de Boston.

As bases chinesas incluíram pacientes internados entre 2013 e 2024, enquanto a MIMIC-IV contemplou pacientes entre 2008 e 2019. Foram incluídos adultos com mais de 18 anos, internados em UTI, com suspeita de infecção.

A suspeita de infecção foi definida como coleta de hemocultura e início de antimicrobianos nos dois dias anteriores ou posteriores à coleta. Essa definição ampla é uma limitação importante, pois pode variar conforme o registro em prontuário.

Os autores compararam o desempenho do SOFA 1 e do SOFA 2, dividindo os pacientes em quatro grupos: SOFA 1 e 2 negativos; SOFA 1 e 2 positivos; SOFA 1 positivo e SOFA 2 negativo; e SOFA 1 negativo e SOFA 2 positivo.

Resultados

A coorte chinesa incluiu 24.510 pacientes, enquanto a MIMIC-IV incluiu 15.563 pacientes com suspeita de infecção internados em UTI.

Na coorte chinesa, a sepse esteve presente em 84% dos pacientes pelo SOFA 1 e em 80% pelo SOFA 2. A maior parte dos pacientes apresentou critérios de sepse nas duas versões do escore, cerca de 74%.

Houve divergência entre as versões em 15% dos casos. O SOFA 1 definiu sepse com maior frequência do que o SOFA 2: 10% versus 5%.

Os pacientes com SOFA 2 positivo eram mais jovens, mais frequentemente do sexo masculino e apresentavam maior taxa de pneumonia, infecções gastrointestinais e neurológicas. O tempo de internação e a mortalidade foram maiores nos grupos com SOFA 1 e 2 positivos e com SOFA 1 negativo e SOFA 2 positivo, indicando que a positividade no SOFA 2 marcou maior gravidade.

Predição de mortalidade

O SOFA 2 apresentou melhor desempenho para prever mortalidade hospitalar. A AUROC foi de 0,746 para o SOFA 2, em comparação com 0,679 para o SOFA 1.

Essa superioridade ocorreu principalmente pela revisão da pontuação dos sistemas respiratório, cardiovascular e renal. A diferença se manteve em subgrupos, incluindo pacientes em ventilação mecânica e aqueles com dados completos de troca gasosa.

De modo geral, a pontuação do SOFA 2 foi cerca de 2 pontos menor do que a do SOFA 1. Ainda assim, os pacientes com SOFA 2 positivo apresentaram maior risco de morte.

Entre os pacientes com SOFA 1 negativo e SOFA 2 positivo, a mortalidade hospitalar foi de 10,6%, enquanto entre aqueles com SOFA 1 positivo e SOFA 2 negativo foi de 3,3%.

Mensagens para o dia a dia

A segunda versão do escore SOFA identificou um subgrupo de maior risco entre pacientes com suspeita de infecção internados em UTI.

O SOFA 2 apresentou melhor performance para mortalidade hospitalar do que a versão original, tanto na coorte chinesa quanto na validação externa norte-americana.

Embora o SOFA 1 possa superestimar a presença de disfunção orgânica, o SOFA 2 parece ser mais específico para identificar pacientes com sepse e maior risco de morte.

Autoria

Foto de André Japiassú

André Japiassú

Editor médico na Afya. Formado em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com residência médica na área de Clínica Médica e Terapia Intensiva na mesma UFRJ (2000). Especialista pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) desde 2000. Mestrado em Clínica Médica pela UFRJ (2003) e Doutorado em Ciências pela Fundação Oswaldo Cruz (2009).

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