Publicação recente do The New England Journal of Medicine, a partir de pesquisa realizada pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, demonstrou que o principal parâmetro de proteção pulmonar para pacientes em ventilação mecânica na Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) é a pressão de distensão pulmonar (ou pressão motriz).
A pressão de distensão pulmonar corresponde a diferença entre a pressão inspiratória máxima (pressão de platô) e a pressão expiratória final (a famosa PEEP). O estudo demonstrou que o ideal é manter uma pressão de distensão de até 15 cmH2O.
Esta descoberta representa uma grande mudança de paradigma na ventilação mecânica, visto que se acreditava que a principal estratégia de proteção na SDRA era manter uma pressão inspiratória máxima abaixo de 30 cmH2O. O controle da pressão de distensão como fator protetor é superior ao controle da pressão inspiratória máxima, tornando a própria até mesmo pouco relevante.
O estudo é tão bem fundamentado e completo que de fato já gerou repercussão internacional, motivando a adequação de novas diretrizes. É com muita felicidade que vemos um estudo multicêntrico encabeçado por pesquisadores brasileiros com real impacto na prática médica.
Referências Bibliográficas:
Amato, Marcelo B.P. et al. Driving Pressure and Survival in the Acute Respiratory Distress Syndrome. The New England Journal of Medicine, February 19, 2015 DOI: 10.1056/NEJMsa1410639 (Artigo)
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