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Terapia Intensiva9 abril 2026

Manejo clínico da SDRA: atualização das definições amplia identificação

SDRA exige manejo individualizado. Veja atualizações sobre HFNO, VNI, pronação, PEEP e ventilação protetora.
Por Julia Vargas

Apesar dos avanços importantes em ventilação mecânica, monitorização à beira-leito e estratégias de suporte, a mortalidade da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA) permanece elevada. A recente atualização das definições de SDRA permitiu a identificação mais precoce e em um espectro mais amplo de pacientes, independentemente do tipo de suporte ventilatório em uso.  

Esse alargamento do diagnóstico reforçou ainda mais a heterogeneidade da SDRA e a necessidade de estratégias de manejo individualizadas, baseadas em fenótipos fisiológicos (ventilatory ratio, complacência do sistema respiratório), radiológicos (focal ou não focal) e biológicos (hiperinflamatório vs. hipoinflamatório) 

 Suporte respiratório não invasivo

  • Cateter nasal de alto fluxo (HFNO) é recomendado como estratégia inicial em SDRA leve, com melhor tolerabilidade e bons desfechos em insuficiência respiratória hipoxêmica. 
  • Ventilação não invasiva (VNI) pode ser considerada em SDRA leve a moderada, desde que haja monitorização rigorosa e critérios claros de falha, devido à alta taxa de insucesso e risco de atraso na intubação. 
  • O uso de VNI com capacete (helmet) apresenta resultados superiores à máscara facial em estudos selecionados, com menor taxa de intubação e mortalidade. 

Ventilação mecânica invasiva

O foco do tratamento continua sendo a ventilação protetora pulmonar: 

  • Volume corrente alvo: 6 ml/kg de peso predito (intervalo aceitável 4–8 ml/kg) 
  • Pressão de platô: <30 cmH₂O (ou mais baixa, <26–28 cmH₂O, em pacientes com risco de disfunção de VD) 
  • Ênfase crescente na driving pressure (ΔP = Pplat – PEEP), com valores <16 cmH₂O associados a melhor prognóstico 
  • O conceito de machanical power é discutido como marcador geral de agressão mecânica e risco de VILI, mas ainda limitado por complexidade de cálculo e ausência de validação prospectiva para guiar terapia 

PEEP erecrutabilidade

Não existe um PEEP “ideal” universal. O artigo reforça que: 

  • Estratégias baseadas apenas em oxigenação são insuficientes 
  • SDRA não focal e recrutável pode se beneficiar de PEEP mais elevado 
  • SDRA focal ou pouco recrutável pode sofrer dano por sobredistensão com PEEP alto 
  • Métodos para titulação de PEEP incluem: driving pressure, complacência, curvas pressão-volume, manometria esofágica e avaliação ecocardiográfica do VD 

Pronação

posição prona precoce (<36h) é reafirmada como padrão de cuidado em SDRA moderada a grave (PaO₂/FiO₂ <150), com sessões ≥12h/dia. A ausência de melhora imediata da oxigenação não é motivo para interromper a estratégia, desde que não haja instabilidade ou complicações. 

Bloqueio neuromuscular

O uso rotineiro não é recomendado. Pode ser considerado: 

  • Em SDRA grave precoce com hipoxemia refratária 
  • Em pacientes com esforço respiratório excessivo ou assincronia importante 
  • Deve ser reavaliado em até 48h, balanceando benefícios versus riscos (fraqueza adquirida na UTI, necessidade de sedação profunda) 

 Corticoides e manejo de fluidos

  • Corticoides: não recomendados rotineiramente em SDRA sem indicação específica; evidência ainda controversa, embora estudos recentes sugiram possível benefício em subgrupos. 
  • Estratégia conservadora de fluidos, após resolução do choque, está associada a mais dias livres de ventilação e menor tempo de UTI, especialmente em pacientes com disfunção de VD. 

Manejar SDRA não é apenas aplicar protocolos fixos, mas sim integrar fisiologia, mecânica pulmonar, função do VD e resposta individual ao tratamento para personalização do cuidado como o caminho mais promissor para melhorar desfechos da doença. 

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Julia Vargas

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