Ainda focando nos indicadores de performance em terapia intensiva, temos a taxa de incidência de infecção de corrente sanguínea (IPCS) como um marcador preciso na qualidade de assistência ao paciente. Calculamos a taxa de acordo com a seguinte fórmula: nº de casos novos de IPCS no período/nº de CVCS-dia no período X 1000.
Sua incidência é muito variável no mundo tendo relato de 0,4 a 8,0 por mil cateteres dia, podendo ser ainda maior em alguns serviços. A elevada mortalidade decorrente desta infecção (12 a 25%) além de aumento de custos e tempo de internação decorrentes da mesma, chamaram a atenção dos órgão reguladores de saúde de todo o mundo, levando a várias ações para sua redução. Para o diagnóstico de IPCS seguimos os seguintes critérios segundo a ANVISA:
IPCS laboratorial: é aquela que preenche um dos seguintes critérios
- Critério 1 – Paciente com uma ou mais hemoculturas positivas coletadas preferencialmente de sangue periférico e o patógeno não está relacionado com infecção em outro sítio.
- Critério 2 – Pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas: febre (>38°C), tremores, oligúria (volume urinário <20 ml/h), hipotensão (pressão sistólica ≤ 90mmHg), e esses sintomas não estão relacionados com infecção em outro sítio;
E
Duas ou mais hemoculturas (em diferentes punções com intervalo máximo de 48h) com contaminante comum de pele (ex.:difteróides, Bacillus spp, Propionibacterium spp, estafilococos coagulase negativo, micrococos)
IPCS clínica: é aquela que preenche os seguintes critérios
- Pelo menos de um dos seguintes sinais ou sintomas: febre(>38°), tremores, oligúria (volume urinário <20 ml/h), hipotensão(pressão sistólica ≤ 90mmHg) ou (não relacionados com infecção em outro sítio)
E
todos os seguintes: - a) Hemocultura negativa ou não realizada
- b) Nenhuma infecção aparente em outro sítio
- c) Médico institui terapia antimicrobiana para sepse
Como reduzir a incidência desta patologia nos serviços de terapia intensiva? Não há mágica, mais uma vez a aplicação de um conjunto de boas práticas (bundle) e sua constante auditoria, mostram-se eficazes na redução da incidência de IPCS. São eles:
1. Higienização das Mãos
2. Precauções máximas de barreira na passagem do cateter
3. Anti-sepsia com Clorexidina
4. Escolha do sítio de inserção adequado, com preferência para a veia subclávia sempre que possível
5. Reavaliação diária da necessidade de manutenção do cateter, com pronta remoção
daqueles desnecessários
6. Acesso asséptico ao lúmen
7. Cuidados adequados ao sítio e ao cateteter
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.