Logotipo Afya
Anúncio
Terapia Intensiva22 maio 2026

Hospitalar 2026: Último dia aponta mudanças do setor na gestão de serviços médicos

O que muda na prática para as empresas de gestão de serviços médicos?
Por Cintia Johnston

A Hospitalar 2026 abriu espaço, em uma das sessões do último dia, para discussões estratégicas sobre sustentabilidade econômica e transformação do setor de saúde suplementar no Brasil. Entre os destaques da programação esteve a sessão “ANSM: Reforma Tributária: o que muda na prática para as empresas de gestão de serviços médicos?”, realizada em 22 de maio, reunindo especialistas das áreas jurídica, tributária, empresarial e de gestão em saúde. 

Participaram do debate Gustavo Madi Rezende (LCA Consultores), Paulo Cantergiani (SPBC Advogados), Bruno Sobral (FENASAÚDE), José Floriani (GrupoDOC) e Carlos Augusto Dias (ANSM). A discussão abordou os impactos diretos da reforma tributária sobre operadoras, empresas médicas, serviços diagnósticos, hospitais, clínicas e modelos de gestão em saúde. 

Os palestrantes destacaram que a reforma tributária representa uma das maiores transformações estruturais do ambiente econômico brasileiro nas últimas décadas, trazendo mudanças relevantes para o financiamento, organização e sustentabilidade dos serviços de saúde. Foram debatidos os possíveis efeitos da substituição de tributos atuais pelos novos modelos de IVA dual, além das repercussões sobre carga tributária, contratos assistenciais e custos operacionais das instituições de saúde. 

A mesa enfatizou que o setor da saúde possui características específicas que tornam a discussão tributária particularmente complexa. Diferentemente de outros segmentos econômicos, a assistência em saúde envolve elevada intensidade tecnológica, custos crescentes relacionados à incorporação de inovação, judicialização, envelhecimento populacional e aumento da demanda assistencial. 

Os especialistas alertaram que mudanças tributárias podem impactar diretamente a cadeia assistencial, incluindo: 

  • custos hospitalares; 
  • serviços terceirizados; 
  • home care; 
  • medicina diagnóstica; 
  • tecnologia médica; 
  • gestão de plantões; 
  • remuneração profissional; 
  • contratos entre operadoras e prestadores. 

Outro ponto amplamente discutido foi a necessidade de adaptação estratégica das empresas médicas e instituições hospitalares frente ao novo cenário regulatório e financeiro. Os debatedores ressaltaram que governança, planejamento tributário, eficiência operacional e gestão baseada em dados serão cada vez mais importantes para sustentabilidade das organizações de saúde. 

A sessão também trouxe reflexões sobre os impactos indiretos para o cuidado assistencial. Segundo os palestrantes, alterações econômicas e regulatórias influenciam capacidade de investimento em tecnologia, ampliação de serviços, contratação de equipes e incorporação de inovação, repercutindo potencialmente na experiência do paciente e na qualidade da assistência. 

Além dos aspectos econômicos, o debate reforçou a importância de maior integração entre gestores, profissionais de saúde, setor jurídico e especialistas financeiros para construção de modelos sustentáveis capazes de equilibrar eficiência operacional, inovação tecnológica e acesso assistencial. 

Ao final, a sessão evidenciou que a reforma tributária não representa apenas uma mudança contábil ou fiscal, mas um movimento capaz de redefinir modelos de negócio, estratégias de gestão e organização do sistema de saúde brasileiro nos próximos anos. 

Quais pontos principais para o médico gestor e assistencial para definição do seu modelo de negócios? 

Do ponto de vista prático, a discussão sobre reforma tributária e gestão de serviços médicos trouxe reflexões extremamente relevantes para médicos gestores, coordenadores de serviços, intensivistas líderes, proprietários de clínicas, empresas de home care, serviços diagnósticos e grupos multiprofissionais. O principal aprendizado foi que o médico moderno precisará compreender cada vez mais gestão, sustentabilidade financeira e eficiência operacional para manter serviços viáveis e competitivos nos próximos anos. 

Entre os principais pontos práticos destacam-se: 

  • Definir claramente o modelo de negócio
    O médico gestor precisará decidir qual estrutura faz mais sentido para sua atuação: 
  • consultório individual; 
  • clínica multiprofissional; 
  • prestação de serviço hospitalar; 
  • PJ médica; 
  • cooperativa; 
  • home care; 
  • telemedicina; 
  • gestão de plantões; 
  • educação médica; 
  • infoprodutos; 
  • assistência híbrida presencial/digital. 

Cada modelo sofrerá impactos tributários diferentes. 

  • Atenção à sustentabilidade financeira
    Não basta excelência técnica. O serviço precisa ser financeiramente sustentável diante de: 
  • aumento de custos; 
  • inflação médica; 
  • judicialização; 
  • incorporação tecnológica; 
  • carga tributária; 
  • aumento de despesas trabalhistas. 
  • Conhecer minimamente tributação e estrutura societária
    O médico gestor não precisa ser contador, mas deve entender: 
  • diferença entre pessoa física e jurídica; 
  • impacto do IVA; 
  • regimes tributários; 
  • distribuição de lucros; 
  • custos operacionais; 
  • riscos fiscais. 

Isso influencia diretamente margem financeira e crescimento do negócio. 

  • Gestão baseada em dados será obrigatória
    Indicadores passam a ser essenciais: 
  • taxa de ocupação; 
  • tempo médio de permanência; 
  • custo por paciente; 
  • produtividade; 
  • glosas; 
  • reinternações; 
  • indicadores assistenciais; 
  • satisfação do paciente. 

Quem não medir resultados terá dificuldade competitiva. 

  • Tecnologia deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade
    Ferramentas digitais ajudam em: 
  • automação financeira; 
  • prontuário eletrônico; 
  • BI e dashboards; 
  • telemonitoramento; 
  • faturamento; 
  • gestão operacional; 
  • análise preditiva. 
  • Modelos centrados em valor tendem a crescer
    A tendência é migração gradual do modelo baseado apenas em volume para modelos baseados em: 
  • desfechos clínicos; 
  • eficiência; 
  • qualidade; 
  • segurança; 
  • experiência do paciente. 
  • Eficiência operacional será determinante
    Serviços mais enxutos e organizados tendem a sobreviver melhor em cenários tributários complexos. Fluxos mal organizados aumentam desperdícios e reduzem margem financeira. 
  • Home care e cuidado longitudinal tendem a expandir
    O envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas favorecem: 
  • ventilação domiciliar; 
  • monitoração remota; 
  • reabilitação; 
  • programas de transição hospital-domicílio; 
  • telemedicina. 
  • Diversificação de receita torna-se estratégica
    Dependência exclusiva de plantões ou convênios aumenta vulnerabilidade financeira. Muitos médicos têm buscado: 
  • educação médica; 
  • consultoria; 
  • cursos; 
  • telemedicina; 
  • second opinion; 
  • pesquisa clínica; 
  • gestão hospitalar. 
  • Atenção à experiência do paciente
    O paciente passou a se comportar também como consumidor de saúde. Comunicação, acesso digital, tempo-resposta e experiência assistencial impactam retenção e reputação do serviço. 
  • Compliance e segurança jurídica ganham relevância
    Documentação adequada, LGPD, contratos estruturados e governança reduzem riscos regulatórios e financeiros. 
  • Liderança multiprofissional é diferencial competitivo
    O médico gestor moderno precisa desenvolver: 
  • liderança; 
  • negociação; 
  • gestão de pessoas; 
  • inteligência emocional; 
  • comunicação institucional. 
  • Incorporar IA e saúde digital de forma crítica
    Inteligência artificial poderá otimizar: 
  • fluxo assistencial; 
  • faturamento; 
  • análise de risco; 
  • monitorização; 
  • predição clínica. 

Mas exige supervisão humana e validação ética. 

A principal mensagem prática da sessão foi que o médico do futuro precisará unir competência técnica, visão estratégica, gestão financeira, tecnologia e capacidade de adaptação para construir modelos de negócio sustentáveis em um sistema de saúde cada vez mais complexo, regulado e orientado por eficiência. 

Autoria

Foto de Cintia Johnston

Cintia Johnston

Conteudista fisioterapeuta intensivista na Afya. Doutora em Medicina Pediátrica na FAMED/PUCRS. Pós-doutora em Pneumologia na UNIFESP/EPM. Coordenadora Nacional da PG em Medicina Intensiva Pediátrica na AFYA.

Como você avalia este conteúdo?

Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.

Compartilhar artigo

Referências bibliográficas

Newsletter

Aproveite o benefício de manter-se atualizado sem esforço.

Anúncio

Leia também em Terapia Intensiva