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Terapia Intensiva11 abril 2026

EUROBRAZIL 2026: ONAF ou VNI em hipoxemia refratária?

Aplicabilidade da oxigenoterapia de alto fluxo (ONAF) e da ventilação não invasiva na falha respiratória foi tema de uma das sessões do congresso.
Por Cintia Johnston

Durante o II Congresso EUROBRAZIL, o Dr. Israel Silva Maia e o Dr. Giacomo Grasselli (Itália) debateram com o público sobre a comparação da aplicabilidade da oxigenoterapia de alto fluxo (ONAF) e a ventilação não invasiva na falha respiratória devido a hipoxemia refratária em pacientes adultos com SDRA. 

 

Raciocínio Clínico 

A ONAF deve ser entendida como uma estratégia fisiologicamente orientada, não apenas um dispositivo de oxigênio. Seu racional baseia-se em três pilares: 

  1. Melhorar oxigenação (FiO₂ estável + PEEP leve)
  2. Reduzir trabalho respiratório (fluxo alto → menor esforço inspiratório)
  3. Otimizar ventilação (washoutde espaço morto)

O ponto central não é “corrigir SpO₂”, e sim avaliar a resposta global do paciente: 

  • Padrão respiratório
  • Esforço
  • Tendência evolutiva nas primeiras horas

 

Limitações e Desafios 

  • Risco de atraso na intubação → principal fator associado a pior desfecho; 
  • Falsa sensação de segurança → melhora da SpO₂ pode mascarar esforço elevado; 
  • Heterogeneidade de resposta → depende de fenótipo (ex: pneumonia vs edema vs SDRA grave); 
  • Dependência de monitoração contínua → sem reavaliação ativa, perde-se o benefício; 
  • Cutoffs variáveis (ex: ROX) → devem ser interpretados em contexto clínico; 
  • Limitação em casos graves → SDRA moderado/grave frequentemente requer VM 
  • Conforto vs eficácia → fluxo/umidificação/aquecimento inadequados comprometem efeitos fisiológicos. 

Síntese: ONAF não é sobre oxigênio — é sobre tempo, seleção e reavaliação contínua. O sucesso não está em iniciar, mas em saber quando parar. 

Mensagens práticas 

  1. ONAF é suporte ventilatório leve, não apenas oxigenoterapia; 
  2. Fluxo é tão importante quanto FiO₂ → fluxo baixo = perde efeito fisiológico; 
  3. Inicie com 40–60 L/min e ajuste pelo esforço respiratório; 
  4. Avalie resposta nas primeiras 1–2 horas (janela crítica); 
  5. Use o ROX index, mas nunca isoladamente; 
  6. Queda ou não melhora do ROX = alerta precoce de falha; 
  7. Não confie apenas na SpO₂ → observe esforço, FR e padrão respiratório; 
  8. Persistência de FR elevada (>30) é sinal de falha iminente; 
  9. Se há dúvida entre manter ONAF ou intubar → prefira não atrasar a IOT; 
  10. CNAF funciona melhor em: Hipoxemia precoce; Paciente colaborativo; Sem fadiga avançada. 

 

 

Autoria

Foto de Cintia Johnston

Cintia Johnston

Fisioterapeuta Intensivista, PhD; Pós-doutora em Pneumologia, UNIFESP/EPM; Coordenadora da Pos-graduacao em Medicina Intensiva PedNEO- Afya.

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