Durante o II Congresso EUROBRAZIL, o Dr. Israel Silva Maia e o Dr. Giacomo Grasselli (Itália) debateram com o público sobre a comparação da aplicabilidade da oxigenoterapia de alto fluxo (ONAF) e a ventilação não invasiva na falha respiratória devido a hipoxemia refratária em pacientes adultos com SDRA.
Raciocínio Clínico
A ONAF deve ser entendida como uma estratégia fisiologicamente orientada, não apenas um dispositivo de oxigênio. Seu racional baseia-se em três pilares:
- Melhorar oxigenação (FiO₂ estável + PEEP leve)
- Reduzir trabalho respiratório (fluxo alto → menor esforço inspiratório)
- Otimizar ventilação (washoutde espaço morto)
O ponto central não é “corrigir SpO₂”, e sim avaliar a resposta global do paciente:
- Padrão respiratório
- Esforço
- Tendência evolutiva nas primeiras horas
Limitações e Desafios
- Risco de atraso na intubação → principal fator associado a pior desfecho;
- Falsa sensação de segurança → melhora da SpO₂ pode mascarar esforço elevado;
- Heterogeneidade de resposta → depende de fenótipo (ex: pneumonia vs edema vs SDRA grave);
- Dependência de monitoração contínua → sem reavaliação ativa, perde-se o benefício;
- Cutoffs variáveis (ex: ROX) → devem ser interpretados em contexto clínico;
- Limitação em casos graves → SDRA moderado/grave frequentemente requer VM
- Conforto vs eficácia → fluxo/umidificação/aquecimento inadequados comprometem efeitos fisiológicos.
Síntese: ONAF não é sobre oxigênio — é sobre tempo, seleção e reavaliação contínua. O sucesso não está em iniciar, mas em saber quando parar.
Mensagens práticas
- ONAF é suporte ventilatório leve, não apenas oxigenoterapia;
- Fluxo é tão importante quanto FiO₂ → fluxo baixo = perde efeito fisiológico;
- Inicie com 40–60 L/min e ajuste pelo esforço respiratório;
- Avalie resposta nas primeiras 1–2 horas (janela crítica);
- Use o ROX index, mas nunca isoladamente;
- Queda ou não melhora do ROX = alerta precoce de falha;
- Não confie apenas na SpO₂ → observe esforço, FR e padrão respiratório;
- Persistência de FR elevada (>30) é sinal de falha iminente;
- Se há dúvida entre manter ONAF ou intubar → prefira não atrasar a IOT;
- CNAF funciona melhor em: Hipoxemia precoce; Paciente colaborativo; Sem fadiga avançada.
Autoria
Cintia Johnston
Fisioterapeuta Intensivista, PhD; Pós-doutora em Pneumologia, UNIFESP/EPM; Coordenadora da Pos-graduacao em Medicina Intensiva PedNEO- Afya.
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