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Terapia Intensiva9 abril 2026

COMIN 2026: Neurointensivismo em 2026 - onde estamos e para onde vamos?

COMIN 2026 debateu o presente e o futuro do neurointensivismo, com foco em monitoração, vieses e cuidado individualizado.
Por Cintia Johnston

Durante o VIII Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva Neurológica (COMIN 2026), o Dr.  Fábio Taccone e a Dra. Chiara Robba, referências mundiais em neurontensivismo, foram conduzidos pela Dra. Gisele Sampaio Silva (moderadora) em uma discussão provocadora sobre o a atualidade e perspectivas futuras do neurointensivismo no mundo. Vamos saber os pontos principais de discussão. 

Raciocínio Clínico 

O neurointensivismo atual deixou de ser centrado apenas na lesão cerebral primária e passou a focar na prevenção da lesão secundária, com base na avaliação contínua da perfusão, oxigenação e metabolismo cerebral. A pergunta central é: o cérebro está adequadamente protegido neste momento? 

O paciente neurocrítico deve ser analisado como um sistema integrado, no qual pressão intracraniana, pressão de perfusão cerebral, ventilação e hemodinâmica interagem diretamente. O raciocínio clínico inicia-se pela identificação do fenótipo neurológico e pela busca ativa de fatores agravantes, como hipotensão, hipoxemia e distúrbios da PaCO. 

A monitoração multimodal é fundamental, permitindo decisões guiadas por dados fisiológicos em tempo real. A ventilação mecânica deve ser ajustada considerando seus efeitos sobre o cérebro, e não apenas sobre o pulmão. 

A tendência atual é a individualização da pressão de perfusão cerebral, abandonando alvos fixos e adotando estratégias baseadas na autorregulação. 

O manejo torna-se dinâmico, com reavaliação contínua e intervenções personalizadas. O futuro aponta para integração de dados, inteligência artificial e medicina de precisão, consolidando um modelo de cuidado mais individualizado e fisiologicamente orientado. 

Principais vieses na prática da terapia intensiva 

A tomada de decisão em terapia intensiva é frequentemente influenciada por vieses cognitivos que podem comprometer a qualidade do cuidado. Entre os principais, destacam-se o viés de ancoragem, quando o profissional se fixa na primeira hipótese diagnóstica; o viés de confirmação, que leva à busca seletiva de informações que reforcem crenças prévias; e o viés de disponibilidade, no qual decisões são baseadas em experiências recentes ou marcantes. 

Além disso, o excesso de confiança, a inércia terapêutica e a dificuldade em reavaliar condutas frente a novas evidências contribuem para erros clínicos. Reconhecer esses vieses e adotar estratégias como reavaliação sistemática, discussão em equipe e uso de protocolos pode melhorar a segurança e a tomada de decisão na UTI. 

Limitações e Desafios 

A prática em terapia intensiva enfrenta limitações importantes, como a complexidade dos pacientes, a sobrecarga cognitiva e a necessidade de decisões rápidas com informações incompletas. A variabilidade entre profissionais e serviços, aliada à dependência de recursos tecnológicos nem sempre disponíveis, impacta a padronização do cuidado. 

Além disso, a integração de dados da monitorização multimodal ainda é um desafio, exigindo treinamento especializado e interpretação qualificada. A incorporação de novas tecnologias, como inteligência artificial, também traz barreiras relacionadas à validação clínica, custo e aplicabilidade no mundo real. Superar esses desafios requer educação contínua, trabalho em equipe e desenvolvimento de sistemas mais integrados e acessíveis. 

Mensagens Práticas 

Avalie o paciente de forma integrada, evitando decisões baseadas em variáveis isoladas. 

Reavalie continuamente; a condição do paciente crítico é dinâmica e pode mudar rapidamente. 

Identifique e corrija precocemente fatores de lesão secundária (hipotensão, hipóxia, distúrbios de CO). 

Utilize a monitoração como ferramenta de decisão, não apenas de observação. 

Reconheça e minimize vieses cognitivos na tomada de decisão clínica. 

Individualize as condutas com base na fisiologia e na resposta do paciente, evitando abordagens padronizadas rígidas. 

Valorize a avaliação funcional e a reabilitação com foco em curto, médio e longo prazos. 

Autoria

Foto de Cintia Johnston

Cintia Johnston

Fisioterapeuta Intensivista, PhD; Pós-doutora em Pneumologia, UNIFESP/EPM; Coordenadora da Pos-graduacao em Medicina Intensiva PedNEO- Afya.

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Referências bibliográficas

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