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Terapia Intensiva26 agosto 2025

Bacteremia na UTI: Sinais que Indicam o Desfecho

Subanálise do estudo BALANCE com 3.600 pacientes mostra como dados diários ajudam a guiar decisões em casos de bacteremia na UTI.
Por Yuri Albuquerque

Na UTI cada dia de evolução do paciente com bacteremia conta. Alterações nos sinais vitais, parâmetros laboratoriais e scores clínicos podem revelar de forma silenciosa quem está no caminho da recuperação e quem pode evoluir mal. Entender essa trajetória clínica é fundamental para decisões como prolongar ou não o antibiótico, intensificar suporte ou investigar complicações ocultas. 

 Apesar de a bacteremia ser uma das infecções mais comuns e graves no ambiente hospitalar, há pouco conhecimento sobre a evolução detalhada dos parâmetros clínicos nos primeiros dias. A maioria dos estudos foca em mortalidade, tempo de internação ou resposta global, mas não descreve, dia a dia, como temperatura, parâmetros hemodinâmicos, contagem de leucócitos, plaquetas e marcadores inflamatórios mudam, e como essas mudanças diferem entre sobreviventes e não sobreviventes.
O estudo BALANCE foi um ensaio clínico randomizado que demonstrou que sete dias de antibiótico são não inferiores a quatorze dias no tratamento da bacteremia. A subanálise apresentada aqui descreveu, a partir desse mesmo banco de dados, a trajetória clínica de mais de 3.600 pacientes hospitalizados, incluindo um grande número em Unidade de Terapia Intensiva, e avaliou como essas informações podem orientar a prática diária.  

Metodologia  

  • População: 3.608 pacientes com bacteremia, excluindo casos com Staphylococcus aureus, fungos e endocardite. 
  • Coleta: Dados diários até o décimo quarto dia de evolução, alta hospitalar ou óbito. 
  • Parâmetros avaliados: Temperatura, frequência cardíaca, pressão arterial média, pressão arterial sistólica, frequência respiratória, contagem de leucócitos, contagem de plaquetas, proteína C reativa e escore SOFA. 
  • Análises: Comparação das trajetórias clínicas entre sobreviventes e não sobreviventes e avaliação do tempo até normalização dos parâmetros. 

Resultados 

  • Evolução hemodinâmica: A pressão arterial média e a frequência cardíaca melhoram na maioria até o terceiro dia, mas entre 25 e 33% dos pacientes mantêm disfunção. 
  • Marcadores inflamatórios: Proteína C reativa e contagem de leucócitos permanecem elevadas por até quatorze dias na maior parte dos pacientes. 
  • Febre: Metade dos pacientes defervescem no primeiro dia e 75% até o terceiro dia. Febre persistente não se associou necessariamente a piores desfechos. 
  • Prognóstico: Não sobreviventes apresentaram recuperação mais lenta de todos os parâmetros avaliados, especialmente contagem de plaquetas, pressão arterial média e frequência respiratória. 

Mensagem prática 

  • Febre ou marcadores inflamatórios elevados isoladamente não devem ser usados como justificativa para prolongar antibióticos. 
  • Recuperação lenta de parâmetros hemodinâmicos e hematológicos pode sinalizar risco aumentado e justificar reavaliação diagnóstica e terapêutica. 
  • O acompanhamento diário estruturado desses indicadores é uma ferramenta poderosa para estratificação de risco e individualização de condutas na bacteremia. 
  • As trajetórias semelhantes entre sete e quatorze dias reforçam que cursos mais curtos, quando o paciente está clinicamente estável, não comprometem a recuperação. 

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Referências bibliográficas

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