As reinternações na UTI não planejadas são frequentemente avaliadas como uma falha na decisão de fluxo do paciente. E elas podem indicar alguma falha no cuidado e estão associadas com o aumento de permanência no hospital e mortalidade. Alguns fatores de risco já foram associados em outros estudos, como redução do nível de consciência, necessidade de oxigênio suplementar, alta durante o período noturno e comorbidades. A implementação de um time de resposta rápida pode ser uma das soluções para reduzir esta taxa de reinternação, mas a literatura ainda não provou um benefício desta organização para melhorar esses desfechos.

Métodos:
Esse estudo foi realizado em Taiwan de modo retrospectivo um centro médico universitário que tem 1680 leitos com 10% de leitos de UTI. É importante dizer que a taxa paciente-enfermeira é de 7:1 na enfermaria e as enfermeiras têm uma média de 11 anos de experiência. A equipe de enfermagem da enfermaria e o time de resposta rápida foram treinados para acionar para serem acionados, dependendo de alterações de sinais vitais: frequência cardíaca maior que 120 ou menor que 50/min, frequência respiratória maior que 30 ou menor do que 6/min, pressão arterial sistólica maior que 220 ou menor que 90 mmHg, saturação de oxigênio por oximetria menor que 90%, redução da diurese, presença de nova arritmia cardíaca, falta de resposta verbal ou à dor, início de crises epilépticas, dor torácica ou alguma outra condição que gere preocupação na enfermagem.
O desfecho da reinternação foi no período de até 7 dias após a saída do UTI e as informações foram coletadas entre 2019 e 2021.
Resultados:
Durante o período do estudo, um total de mais de 23 mil pacientes foram transferidos do UTI para a enfermaria e 1223 (5%) teve uma reinternação não planejada na UTI. Deste total, 474 (2% do total) tiveram reinternação nos primeiros 7 dias. A população reinternada era predominantemente de homens (60%) e foram tratadas na UTI clínica (53%). O diagnóstico primário era de doença cardiovascular 27%, seguido de neoplasia 25%. No total 53 (11%) pacientes morreram durante a hospitalização.
Os pacientes que apresentaram maior risco de morte foram aqueles que retornaram à UTI em período menor, em torno de 2 dias. Cerca de 20% dos pacientes que reinternaram em UTI tiveram o primeiro sinal de alerta nas primeiras 24 horas após a saída do setor. E 15% teve a primeira notificação para o time de resposta rápida nas primeiras 24 horas. O número de acionamento do time de resposta rápida foi discretamente maior nos pacientes mais graves e que não sobreviveram. Os autores fizeram algumas comparações em relação à mortalidade hospitalar e somente o tempo de permanência na enfermaria menor que 2,5 dias esteve associado com esse desfecho. O total de horas até o primeiro alerta de anormalidade fisiológica e também o primeiro alerta para o time de resposta rápida não foram preditores de mortalidade.
O estudo tem algumas limitações, principalmente devido a sua natureza unicêntrica e também algum grau de classificação errada dos alertas automáticos, que podem ter acontecido por uma variabilidade inerente da verificação pela enfermagem. Eles também não incorporaram alguns escores de gravidade de UTI, como APACHE, SAPS ou SOFA.
Conclusões:
- O estudo mostra taxa de reinternação de 2% na UTI em até 7 dias da primeira saída da unidade fechada;
- Os pacientes reinternados que faleceram tiveram retorno à UTI em média 2 dias após a alta, sugerindo que houve alguma precipitação da saída nestes casos;
- Times de resposta rápida podem ajudar a monitorar pacientes egressos da UTI no período de 2 a 3 dias, para tentar evitar seu retorno precoce, mas isto ainda deve ser testado.
Autoria

André Japiassú
Doutor em Ciências pela Fiocruz. Mestre em Clínica Médica pela UFRJ. Especialista em Medicina Intensiva pela AMIB. Residência Médica em Medicina Intensiva pela UFRJ. Médico graduado pela UFRJ.
Como você avalia este conteúdo?
Sua opinião ajudará outros médicos a encontrar conteúdos mais relevantes.