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Terapia Intensiva15 fevereiro 2026

Acurácia diagnóstica da procalcitonina para sepse no paciente em UTI

Procalcitonina ajuda no diagnóstico de sepse na UTI? Veja dados de metanálise e como aplicar na prática. Leia agora.

A síndrome de sepse foi primeiramente definida em 1991 e sua definição foi aprimorada em 2016, em consenso no qual critérios objetivos de disfunções orgânicas ajudam a definir se o paciente tem a síndrome ou não. No entanto, a presença de disfunções orgânicas em paciente que tem comprovação ou presunção de síndrome infecciosa. É um critério objetivo, porém está destacado de biomarcadores que são moléculas que tem um objetivo de ajudar a identificar doenças e síndromes.  

A procalcitonina foi extensamente estudada para síndromes infecciosas nos últimos 20 anos. E desde 2001 ela tem sido preconizada no auxílio do diagnóstico de sepse. Isto tudo foi mais bem estudado e definido para pacientes que se apresentam no setor de emergência. Porém na UTI, o diagnóstico da sepse e o uso da própria sintonia são controversos. O paciente séptico na UTI frequentemente já apresenta uma ou mais disfunções orgânicas que podem piorar e mascarar a evidência de nova sepse. A procalcitonina pode se elevar no paciente com infecção, porém a sua acurácia diagnóstica reduz de maneira significativa com o maior tempo de internação do paciente. A Diretriz da SSC não preconiza o uso rotineiro deste biomarcador para Diagnóstico da sepse, nem preconiza o uso dele para iniciar ou não antibiótico. Por isso, os autores desta revisão tiveram o objetivo de analisar a acurácia diagnóstica da procalcitonina para identificar sepse, usando os critérios diagnósticos atuais em pacientes graves na UTI.  

A maior parte dos estudos que avaliaram este biomarcador para sepse foi com critérios diagnósticos mais antigos e misturava também pacientes oriundos de outros setores do hospital que não a UTI.  

Métodos e resultados  

A revisão sistemática contou com procura nos sistemas de bases de dados: Pubmed, Google Scholar, Science Direct, Wiley e Cochrane Database. As publicações procuradas foram de 2016 até 2025 e precisavam conter análise de acurácia, ou seja, sensibilidade e especificidade da procalcitonina em pacientes com sepse que tinham infecções oriundas da comunidade e internaram em UTI. 

Das mais de 1.200 publicações, os autores revisaram 64 textos e identificaram 10 artigos com 1098 pacientes para a inclusão na revisão. Nenhum estudo foi randomizado controlado; havia seis estudos observacionais prospectivos e quatro estudos retrospectivos. Apenas um estudo incluiu pacientes de diferentes centros.  

A prevalência de sepse foi de 58% e choque séptico de 14%; a idade média dos pacientes foi de 58 anos, com maioria de homens (em torno de 60%). Os valores de corte das medidas de procalcitonina foi em média de 2.8 ng/ml, variando entre 0.5 até 5.2; os autores desta revisão optaram pelo valor de 1.5 ng/ml para a análise de acurácia dos 10 estudos.  

No geral, a sensibilidade do biomarcador para diagnóstico decepsico de sepse foi de 72%, a especificidade foi de 65%, a razão de chances diagnóstica foi de 7 com intervalo de confiança entre 3,7 e 13,6. O tamanho amostral de todos os estudos girou em torno de 80 a 100 pacientes incluídos, então não eram estudos com grande população e o intervalo de confiança foi muito largo. A área abaixo da curva ROC foi de 0,79, o que significa uma boa há muito boa a curar essa diagnóstica. No entanto, os estudos tiveram muita heterogeneidade com o escore I2 acima de 60% (o ideal seria abaixo de 10%). 

Eles realizaram uma análise mais específica para saber se o valor de corte do biomarcador poderia influenciar a heterogeneidade, mas isso não ocorreu. A diferença entre as populações, as características das populações podem ter sido a explicação para esta heterogeneidade a análise de viés de publicação também foi negativa através do gráfico de funil. 

Os autores já haviam realizado outro estudo com a procalcitonina e paciente sépticos no setor de emergência e encontraram valores semelhantes de acurácia. Porém, em relação à paciente de UTI, a procalcitonina tinha menor sensibilidade e maior especificidade na emergência e a área sob a curva ROC foi discretamente maior nos pacientes de UTI. As diferenças do desempenho diagnóstico do biomarcador para sepse são discretas, e não deve ser baliza para iniciar tratamento, apenas para complementar a investigação diagnóstica. 

Mensagens para o dia a dia

A procalcitonina é um biomarcador de boa sensibilidade e especificidade para diagnóstico de sepse em pacientes com infecções comunidades que internam em UTI. No entanto, este biomarcador não parece agregar valor diagnóstico aos critérios de sepse usados desde 2016 e o grau de evidência do seu uso é baixo de acordo com a literatura atualizada; 

Portanto, a procalcitonina ainda não deve ser rotineira no diagnóstico de sepse de pacientes graves; ela deve ser usada em casos selecionados e interpretada em conjunto com parâmetros clínicos. 

Autoria

Foto de André Japiassú

André Japiassú

Doutor em Ciências pela Fiocruz. Mestre em Clínica Médica pela UFRJ. Especialista em Medicina Intensiva pela AMIB. Residência Médica em Medicina Intensiva pela UFRJ. Médico graduado pela UFRJ.

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