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Saúde13 maio 2026

Vírus Oropouche no Nordeste: 2.806 casos e expansão para novos biomas

Vírus Oropouche avança no Nordeste com 2.806 casos confirmados em 8 estados entre 2024 e 2025, segundo estudo publicado no PLOS NTD.
Por Redação Afya

Um estudo publicado em abril de 2026 no periódico PLOS Neglected Tropical Diseases, conduzido por pesquisadores da Fiocruz Pernambuco e de outras instituições, documentou a rápida dispersão do vírus Oropouche (OROV) pelo Nordeste do Brasil entre março de 2024 e abril de 2025. No período, 2.806 casos confirmados de febre do Oropouche foram registrados em 170 municípios de oito dos nove estados nordestinos — evento que os autores caracterizam como a consolidação de uma nova área de transmissão sustentada fora da Amazônia. A expansão resultou de múltiplas introduções virais independentes e foi impulsionada pela mobilidade populacional interestadual e pela presença de vetores competentes em territórios até então considerados não endêmicos.

Oropouche

Surto de Oropouche 2024–2025 atingiu oito dos nove estados nordestinos

Os primeiros casos autóctones na região foram notificados em fevereiro de 2024 no Maranhão e na Bahia. Em Pernambuco, o pico ocorreu na 26ª semana epidemiológica (junho de 2024), ao final da estação chuvosa. A Paraíba foi o último estado a registrar transmissão local, em setembro de 2024, mas foi também onde a incidência mais cresceu em 2025: chegou a ultrapassar 165 casos semanais na sétima semana epidemiológica de janeiro daquele ano. A distribuição etária dos casos foi concentrada na faixa de 20 a 49 anos, que respondeu por 62% do total, e o perfil por sexo foi praticamente equilibrado. A distribuição municipal foi heterogênea: municípios pequenos (até 50 mil habitantes) apresentaram incidência mediana significativamente superior à de cidades de médio e grande porte, com cada duplicação do tamanho populacional associada a uma redução estimada de 46% na incidência.

Saiba mais: Febre oropouche: Como estamos no Brasil?

Jaqueira (PE) foi o epicentro da disseminação regional do OROV?

A análise filogenômica de 65 genomas do OROV sequenciados em Pernambuco, Paraíba e Sergipe identificou duas introduções independentes em Pernambuco. A primeira, denominada clado PE-I e originada do Amazonas central, tornou-se o principal motor da transmissão local e se expandiu para estados vizinhos. A segunda, clado PE-II, permaneceu restrita ao território pernambucano. O município de Jaqueira, situado na Zona da Mata Sul, emergiu como o principal polo de dispersão: foi a partir dele que o vírus se disseminou para municípios litorâneos, para Sergipe e, posteriormente, para a Paraíba — onde o município de Bananeiras concentrou grande parte dos casos em 2025.

Transmissão da febre do Oropouche migra da Mata Atlântica para a Caatinga

Em 2024, os casos de OROV no Nordeste estavam concentrados em municípios inseridos no bioma Mata Atlântica. Em 2025, cerca de 98% dos casos confirmados na região situavam-se no bioma Caatinga — deslocamento que os autores interpretam como diversificação ecológica da arbovirose emergente. Ainda assim, a transmissão permaneceu restrita às subáreas mais úmidas da Caatinga, com florestas ombrófilas ou savanas arbóreas, sem alcançar o semiárido propriamente dito. A análise apontou que nenhum caso foi registrado em municípios com mais de nove meses secos por ano, sugerindo que a umidade é condicionante crítico para a manutenção do vetor Culicoides paraensis.

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Vigilância epidemiológica revelou silêncio viral de até dois meses antes dos surtos

Um achado relevante do estudo foi o intervalo médio de aproximadamente dois meses entre a data estimada de introdução viral em cada localidade — inferida pelo ancestral comum mais recente — e o aumento expressivo de notificações. Esse período de circulação críptica, possivelmente favorecido pela subnotificação e pela similaridade clínica com dengue, chikungunya e zika, compromete a detecção precoce. Os autores reforçam que o fortalecimento da capacidade diagnóstica molecular descentralizada, a vigilância sindrômica de síndromes febris agudas e o monitoramento entomológico em estados com casos confirmados mas sem registros do vetor são medidas prioritárias para conter novos surtos de OROV em regiões anteriormente não afetadas.

Saiba mais: Febre de Oropouche e dengue: semelhanças e diferenças

Este artigo foi elaborado com auxílio de IA e revisado pela equipe médica do Portal Afya.

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Foto de Redação Afya

Redação Afya

Produção realizada por jornalistas da Afya, em colaboração com a equipe de editores médicos.

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