Considerando o cenário brasileiro, no qual existe uma falta de apoio adequado para indivíduos autistas, com poucos locais com oferta de serviços adequados para o atendimento dessa população e restritos geograficamente, estudo publicado na revista Autism, avaliou qualitativamente a possibilidade de implementação da Paediatric Autism Communication Therapy – PACT (Terapia de Comunicação Pediátrica para Autismo), intervenção terapêutica mediada pelos pais, desenvolvida para melhorar o desenvolvimento da comunicação social em crianças autistas.
De acordo com o estudo, o “objetivo da PACT é dar suporte ao desenvolvimento infantil por meio do aumento da sensibilidade e da responsividade dos pais à comunicação e interação da criança autista, bem como melhorar a compreensão dos pais sobre o desenvolvimento da comunicação social autista e não autista de forma mais ampla e o comportamento social-comunicativo de seus filhos especificamente.”
A PACT
Proposta em 2004 por Jonathan Green, professor de psiquiatria infantil e adolescente na Universidade de Manchester, a intervenção envolve sessões de um terapeuta com os pais com objetivo de tornar suas habilidades de comunicação mais adequadas à mecânica comunicacional dos filhos através de análises de interações gravadas e práticas de estratégias específicas do protocolo da terapia. Implementado no sistema de saúde do Reino Unido, seus efeitos benéficos foram demonstrados em estudos posteriores.
O projeto de implementação é desenvolvido no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP pela pesquisadora Elizabeth Shepard, que para viabilizar os estudos e possível aplicação da PACT no Brasil teve que criar um ambiente de formação para terapeutas. “Traduzimos e adaptamos todo o manual para o português brasileiro, garantindo que o sentido fosse preservado, ainda considerando diferenças culturais e sociodemográficas. Até agora, 16 profissionais foram formados, mas nosso objetivo é aumentar significativamente esse número nos próximos anos”, disse Shepard em entrevista à Agência Fapesp (que apoia o projeto).
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A implementação
O estudo qualitativo avaliou a aceitabilidade e a viabilidade da PACT para crianças autistas no Brasil. Foram entrevistados pais (n = 18) de crianças autistas de 2 a 10 anos e clínicos (n = 20) que trabalham com crianças autistas.
Os dados adquiridos foram analisados para verificar percepções sobre a aceitabilidade e a viabilidade da PACT no país.
A terapia também foi aplicada em 15 outros grupos de pais e filhos. Entrevistas ao final da terapia foram realizadas para análise.
Verificou-se que todos os pais e clínicos tiveram opiniões favoráveis sobre a aceitabilidade, viabilidade e eficácia percebida da intervenção mediada pelos pais conduzida principalmente em casa.
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Contudo, os participantes também apontaram obstáculos relativos à implementação da PACT no Brasil, associados ao envolvimento dos pais brasileiros em um modelo de terapia mediado por eles. Assim, foram realizadas adaptações no protocolo original da PACT para facilitar a implementação no país.
As possibilidades e desafios de implementação da técnica em território nacional devem ser objeto de novos estudos em 2025.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
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