Pela primeira vez, o Sistema Único de Saúde realizou telecirurgias robóticas, conectando equipes médicas em locais diferentes durante procedimentos realizados em pacientes. As operações ocorreram entre os dias 24 e 26 de fevereiro e foram conduzidas por especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
Os procedimentos foram realizados com o cirurgião operando a partir de um console localizado no Centro de Treinamento em Procedimentos Minimamente Invasivos (PROMIN), enquanto os braços robóticos executavam a cirurgia no Hospital Universitário da USP (HU-USP), a cerca de 15 quilômetros de distância.
A iniciativa teve como objetivo demonstrar que tecnologias avançadas, tradicionalmente restritas à rede privada, podem ser incorporadas ao sistema público de saúde, ampliando o acesso a procedimentos de alta complexidade.
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Estrutura tecnológica e protocolo de segurança
Antes da realização das cirurgias, a equipe responsável conduziu uma fase de testes para garantir a estabilidade da conexão e a segurança do procedimento. Cerca de 28 cirurgiões participaram de simulações em modelos de silicone, avaliando tanto a conectividade quanto o desempenho do sistema.
O protocolo incluiu três linhas de fibra óptica, uma principal e duas redundantes, além de um console de backup instalado na sala cirúrgica, permitindo que um médico presente no hospital assumisse imediatamente o controle caso ocorresse qualquer falha de comunicação.
Após a validação técnica, foram realizados procedimentos em cinco especialidades médicas: urologia, cabeça e pescoço, cirurgia torácica, cirurgia geral e ginecologia. Entre eles esteve uma prostatectomia oncológica, cirurgia utilizada no tratamento do câncer de próstata. O paciente recebeu alta hospitalar no dia seguinte, com evolução clínica considerada satisfatória.
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Tecnologia pode ampliar acesso e treinamento médico
De acordo com os coordenadores do projeto, todos os pacientes atendidos estavam na fila de espera do Hospital das Clínicas da FMUSP, o que reforça o potencial da tecnologia para ampliar o acesso a tratamentos especializados.
A cirurgia robótica é considerada minimamente invasiva, o que geralmente resulta em menor sangramento, menos dor pós-operatória e recuperação mais rápida. Além disso, a tecnologia pode facilitar intervenções em áreas de difícil acesso anatômico, como pelve e tórax.
Outro benefício apontado pelos especialistas é o potencial para treinamento e telementoria médica, permitindo que cirurgiões experientes acompanhem ou orientem procedimentos realizados à distância.
Após a experiência piloto, a FMUSP iniciou conversas com o Ministério da Saúde para discutir a criação de um grupo de trabalho que avalie a incorporação da telecirurgia robótica como política pública, além de possíveis regulamentações para a tecnologia.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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