A Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE), a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), emitiram uma nota oficial sobre a disseminação de informações falsas relacionadas ao diagnóstico de “micropênis” em crianças.
O alerta das sociedades médicas se fez necessário devido a conteúdos com informações erradas e orientações equivocadas para que os pais e responsáveis realizem medições caseiras, o que tem gerado análises equivocadas e preocupações de saúde desnecessárias levando a condutas de risco para saúde das crianças.
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Condição rara
A nota oficial explica que o diagnóstico de micropênis é raro não sendo possível defini-lo a partir de medidas caseiras e com técnicas inadequadas sem conhecimento especializado. Tal avaliação deve ser conduzida por profissionais médicos treinados e habilitados para a função.
“O diagnóstico é complexo e requer avaliação minuciosa por equipe multidisciplinar de especialistas envolvendo pediatras, urologistas, cirurgiões pediatras, endocrinologistas pediatras, geneticistas e outros. Esse diagnóstico não pode ser definido por uma medida isolada do pênis com régua ou fita métrica. Ele exige uma avaliação clínica detalhada, que inclui exame físico adequado, análise do histórico de saúde da criança, avaliação do desenvolvimento puberal e, quando indicado, exames laboratoriais e genéticos.”, reforça o texto da nota.
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Impacto de tratamento hormonal indevido
As entidades médicas também demonstram preocupação com o uso indevido de hormônios na infância, sem respaldo científico, necessidade e responsabilidade. “O uso indiscriminado de hormônios ou seu uso sem indicações precisas pode causar danos graves e, muitas vezes, irreversíveis à saúde da criança e do adulto que um dia ele se tornará, incluindo infertilidade futura, alterações de crescimento e alterações hormonais.”, reafirmam as sociedades médicas.
Reconhecendo o perigo dessa campanha de desinformação, o grupo acionará o Ministério da Saúde, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério Público, para que essas condutas sejam investigadas e com o objetivo maior de preservar o bem-estar de crianças, adolescentes e de suas famílias.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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