Depois de anos de baixa circulação, o sarampo voltou ao radar da saúde pública brasileira. O Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) acompanha o sarampo em 2026, com 40 casos confirmados no estado de São Paulo, segundo o balanço divulgado pela instituição. A atualização concentra registros na capital e mostra maior ocorrência entre crianças menores de 2 anos.
O cenário também destaca a vacinação contra sarampo, pois 30 pacientes não tinham registro vacinal ou apresentavam esquema incompleto. Esse número preocupa em um contexto regional já frágil. Em novembro de 2025, as Américas perderam o status de área livre de sarampo, com surtos ativos em países como Estados Unidos, Canadá e México. O Brasil, porém, mantém seu status de país livre da circulação endêmica.
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Casos de sarampo se concentram em São Paulo
Dos 40 casos, 36 ocorreram na cidade de São Paulo, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos e Santo André. Não houve mortes entre os casos descritos.
Os três diagnósticos mais recentes ocorreram em moradores da capital, incluindo dois homens, de 18 e 21 anos, e uma criança de 1 ano. Segundo o balanço do CVE, esses pacientes integram cadeias de transmissão identificadas desde junho.
Para boa parte dos médicos mais jovens, que nunca viram um caso de sarampo na prática clínica, o momento pede atenção redobrada. Segundo a Dra. Raíssa Perlingeiro, infectologista e editora do Portal Afya, o principal desafio atual é fazer com que os médicos considerem o sarampo entre as hipóteses diagnósticas.
“O principal é pensar no diagnóstico de sarampo para que as medidas de bloqueio da transmissão do vírus sejam tomadas o mais rápido possível.”, explicou a especialista.
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Vacinação contra sarampo segue disponível em todo o estado
Entre os 40 infectados, 30 não possuíam registro de vacinação ou apresentavam esquema incompleto. A vacina permanece disponível nas unidades básicas de saúde dos 645 municípios paulistas. Crianças devem receber doses aos 12 e aos 15 meses, conforme orientação oficial do Governo.
Pessoas de 15 meses a 29 anos precisam comprovar duas doses. Na faixa de 30 a 59 anos, a orientação é ter, ao menos, uma dose.
Fatores que influenciam no crescimento dos casos de sarampo
Três fatores compõem o cenário de risco: a queda na cobertura vacinal, o cenário internacional marcado por surto nas Américas e o fluxo de viajantes que vieram da Copa do Mundo.
Segundo o documento oficial do Portal de Saúde de SP, entre as semanas epidemiológicas 1 e 30 de 2026, as Américas registraram 49.213 casos confirmados de sarampo e 48 mortes em 17 países e territórios. O total foi cerca de cinco vezes maior que no mesmo período de 2025. Guatemala, México, Estados Unidos e Canadá concentraram aproximadamente 97% dos casos. O genótipo D8 predominou, e a maioria dos registros ocorreu entre pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida.
No Brasil, em 2025, a cobertura da 1ª dose da tríplice viral ficou em 92,9% e a da 2ª dose em apenas 78,3%, número abaixo da meta de cobertura homogênea igual ou superior a 95% com duas doses para prevenir surtos e preservar a eliminação. Até 28 de agosto deste ano, o Ministério da Saúde já aplicou mais de 5,4 milhões de doses da tríplice viral no país, mas ainda não divulgou, nas fontes consultadas do Governo, a cobertura nacional consolidada do ano, até o momento, para a primeira e a segunda doses.
Perlingeiro explica que a queda da cobertura vacinal tem um impacto importante pois o sarampo é muito contagioso. “Uma pessoa pode transmitir para até 18-20 pessoas não vacinadas. Além disso, o aumento das viagens internacionais após grandes eventos e férias facilitou a entrada do vírus no país e a chegada do vírus a grandes centros urbanos (como São Paulo) facilitando a cadeia de transmissão”.
A Copa do Mundo de Futebol de 2026, sediada por EUA, Canadá e México, também acendeu um alerta por conta do surto da doença nas Américas. O Ministério da Saúde emitiu nota técnica alertando para o risco iminente de reintrodução do vírus por viajantes brasileiros ou estrangeiros infectados.
Reconhecer os sinais clínicos do sarampo exige atenção
O sarampo é uma das doenças mais transmissíveis no mundo. A transmissão ocorre por via respiratória, por meio de partículas/aerossóis e gotículas eliminadas por pessoas infectadas ao tossir, espirrar ou falar. O vírus pode permanecer suspenso no ar por até cerca de 2 horas em determinados ambientes e a pessoa costuma ser contagiosa cerca de 4 dias antes até 4 dias depois do início do exantema, o que dificulta o controle.
A infectologista alerta para os sintomas que o médico deve se atentar na atenção primária. “O paciente costuma iniciar o quadro com febre, tosse seca, mal-estar e conjuntivite. Entre o terceiro e o quinto dia surgem as manchas, que aparecem primeiro no rosto e atrás das orelhas antes de se espalharem pelo restante do corpo. Já as manchas de Koplik são praticamente exclusivas do sarampo, embora estejam presentes em apenas 50% a 60% dos pacientes”.
Pontos de atenção para a suspeita clínica
- Febre alta + tosse seca + coriza + conjuntivite, seguidas de exantema maculopapular que se inicia na face e progride de forma cefalocaudal.
- Manchas de Koplik (pontos brancos na mucosa oral) são um sinal precoce e altamente sugestivo, mas nem sempre são identificadas.
- Histórico de viagem recente (sobretudo para Bolívia, EUA, Canadá ou México) ou contato com viajantes deve elevar o índice de suspeição.
- Verificar sempre a situação vacinal do paciente; Lactentes entre 6 e 12 meses não vacinados são um grupo de atenção redobrada.
Conduta
Diante de qualquer suspeita, a notificação à vigilância epidemiológica deve ser imediata. O sarampo é uma doença de notificação compulsória, com prazo de até 24 horas. O paciente deve permanecer em isolamento respiratório para aerossóis enquanto são coletadas amostras para confirmação laboratorial, por sorologia ou, quando possível, biologia molecular.
A vigilância também deve ser acionada para iniciar o bloqueio vacinal dos contactantes. Diante da suspeita, deve-se ofertar máscara cirúrgica para o paciente e isolá-lo.
Para os lactentes com suspeita clínica, a prioridade é impedir a transmissão e reduzir o risco de complicações. “Esses pacientes devem ser isolados imediatamente. Não se recomenda a vacinação durante a suspeita da doença. Também é necessária a notificação compulsória, tratamento de suporte, uso de vitamina A para reduzir complicações neurológicas e oftalmológicas e vacinação de bloqueio dos contactantes”, alerta a especialista.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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