Artigo publicado na revista GeroScience com estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London (Reino Unido) procurou determinar qual o nível de alteração na força neuromuscular que poderia ser usado para identificar o declínio da mobilidade em idosos. Para isso os responsáveis pela análise analisaram dados de 4.541 pessoas com 60 anos ou mais durante o período de 12 anos.
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Metodologia
A análise longitudinal foi realizada com dados do estudo ELSA (English Longitudinal Study of Aging), um estudo de coorte do tipo painel envolvendo indivíduos ingleses com 50 anos ou mais. Esta pesquisa utiliza amostras aleatórias e probabilísticas estratificadas em diferentes estágios, com entrevistas de acompanhamento a cada dois anos, e exames de saúde e os testes de desempenho a cada quatro anos.
As alterações nos níveis de força neuromuscular foram medidas em três períodos (de quatro, oito e doze anos de acompanhamento), com relação à linha de base, e os pacientes foram sendo categorizados em nove grupos:
- Manutenção da força neuromuscular dentro de ± 5%;
- Reduções e aumentos de:
- 5–10%,
- 10–15%,
- 15–20% ou
- superiores a 20%;
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Medidas de mobilidade e força neuromuscular
O nível de mobilidade foi medido de acordo com o tempo médio calculado entre dois testes consecutivos de caminhada em ritmo habitual, percorrendo uma distância de 2,4 m em superfície plana, com ou sem o uso de dispositivo de auxílio, a partir do qual calculou-se a velocidade de marcha.
E a força neuromuscular foi analisada com base na força de preensão manual, determinada através de um dinamômetro. O teste foi realizado com o participante em pé, com o braço próximo ao tronco e o cotovelo flexionado a 90 graus, com registro de três tentativas com a mão dominante (intervalo de um minuto entre as tentativas).
Condições preexistentes identificadas na literatura como associadas a declínios da força neuromuscular e mobilidade foram incluídas como variáveis de controle.
Achados
De acordo com os pesquisadores, os participantes que apresentaram uma redução na força neuromuscular de 15-20% e superior a 20% tiveram um declínio maior na mobilidade em comparação com aqueles que apresentaram estabilidade na força neuromuscular (± 5%).
Ao longo dos 12 anos de acompanhamento, essas reduções, de 15-20% e +20%, corresponderam a declínios na mobilidade de -0,189 m/s e -0,144 m/s, respectivamente.
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Conclusão e discussão
Os autores consideraram que as reduções encontradas nas análise de velocidade de marcha relacionadas às perdas de 15–20% e superiores a 20% na força de preensão manual, ainda que tenham magnitude pequena anualmente (−0,007 m/s e −0,004 m/s), mostram um efeito cumulativo ao longo dos anos clinicamente significativo. Assim, alterações na força muscular ao longo do tempo oferecem informações sobre o declínio futuro da mobilidade e a perda de mais de 15% da força neuromuscular esteve significativamente associada ao declínio da mobilidade, podendo ser considerado um limiar crítico.
Ainda que considerem as forças do estudo como o longo tempo de acompanhamento e a utilização de medidas objetivas de saúde, além dos ajustes para uma ampla gama de covariáveis, os autores também apontam que a generalização dos achados é limitada pelos dados do estudo ELSA serem restritos a pessoas vivendo em comunidade e que perdas de seguimento associadas a indivíduos com condições sociodemográficas, comportamentais, clínicas e de desempenho basais mais desfavoráveis poderia introduzir viés nos achados.
Autoria

Augusto Coutinho
Jornalista e editor de conteúdos de medicina e ciência, especialista em Edição Digital e pós-graduando em Jornalismo de Dados.
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