Sete em cada dez adolescentes não dormem o suficiente, segundo uma análise com mais de 120 mil jovens publicada revista científica JAMA. O dado reforça um alerta crescente sobre os efeitos da privação de sono nessa faixa etária, que incluem prejuízos cognitivos, alterações de humor e maior risco de doenças metabólicas.
De acordo com especialistas, o problema resulta da combinação entre mudanças biológicas típicas da adolescência e hábitos modernos, especialmente o uso de dispositivos eletrônicos no período noturno.
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Ritmo biológico e rotina entram em conflito
Durante a adolescência, há uma tendência natural de dormir e acordar mais tarde, fenômeno relacionado ao ritmo circadiano. No entanto, a rotina escolar e social costuma exigir despertar precoce, criando um descompasso que leva à privação crônica de sono.
Esse quadro é agravado pela exposição à luz das telas à noite, que interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por induzir o sono. Como resultado, o adolescente demora mais a adormecer e acumula déficit de descanso ao longo da semana.
Outro fenômeno comum é o chamado “jet lag social”, caracterizado por horários irregulares de sono entre dias úteis e fins de semana, o que desregula ainda mais o relógio biológico.
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Impactos vão além do cansaço
Dormir mal não afeta apenas a disposição. O sono tem papel central na consolidação da memória, na regulação hormonal e no equilíbrio emocional. Na adolescência, fase crítica do desenvolvimento neurológico, a privação pode intensificar sintomas de ansiedade, depressão e dificuldades de aprendizagem.
Há também impacto metabólico. A falta de sono altera hormônios grelina e leptina, relacionados ao apetite, favorecendo o aumento da fome e o ganho de peso. Estudos já associam esse padrão a maior risco de obesidade.
A recomendação é que adolescentes durmam entre 8 e 10 horas por noite. Para melhorar a qualidade do sono, medidas como manter horários regulares, reduzir o uso de telas antes de dormir e criar um ambiente adequado no quarto são fundamentais. Em casos persistentes, a avaliação médica é indicada para investigar possíveis distúrbios do sono.
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Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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