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Saúde26 março 2026

Pesquisa do IBGE alerta para crise de saúde mental em adolescentes

Levantamento nacional com mais de 118 mil estudantes revela altos níveis de tristeza, ansiedade, autolesão e fragilidade emocional entre jovens brasileiros.
Por Gabriela Costa

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada na última quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), três em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram que se sentem tristes sempre ou na maioria das vezes.

O levantamento, realizado em 2024, ouviu 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas do Brasil. Os números revelados mostram um panorama preocupante acerca da saúde mental de jovens: 42,9% afirmaram que se sentem “irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa”, enquanto 18,5% relataram que a vida não vale a pena.

Leia mais: Uso de mídias digitais afeta saúde mental de jovens além do tempo de tela

Relações sociais e suporte emocional

Os dados da pesquisa mostram que existe uma parcela relevante de adolescentes que se sente desamparado emocionalmente. Cerca de 26,1% dos estudantes afirmam sentir que ninguém se preocupa com eles e 4,5% dizem não ter amigos próximos.

O ambiente familiar também aparece como fator de risco: um em cada cinco adolescentes (20%) relata ter sofrido agressão física por parte de pais ou responsáveis ao menos uma vez nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Sofrimento emocional e autolesão

Os indicadores mostram que sintomas emocionais são amplamente disseminados. Segundo o IBGE, quase metade dos adolescentes (49,7%) apresentou ansiedade/preocupação e 42,9% sentem irritabilidade/nervosismo.

Com base na amostra, o IBGE estima que cerca de 100 mil estudantes no Brasil sofreram algum tipo de lesão autoprovocada nos 12 meses anteriores à pesquisa. Esse contingente corresponde a 4,7% dos adolescentes que relataram ter passado por algum acidente ou lesão no período analisado. Entre esses jovens, também são mais frequentes indicadores como tristeza, exposição ao bullying e outros fatores de vulnerabilidade.

Diferenças por gênero

Em todos os indicadores analisados pela pesquisa, as meninas apresentam resultados mais elevados. Elas relatam maior frequência de tristeza, níveis mais altos de ansiedade e maior ideação de autolesão.

A diferença aparece de forma expressiva em alguns indicadores: 58,1% das meninas dizem se sentir irritadas, nervosas ou mal-humoradas com frequência, ante 27,6% dos meninos.

Veja também: Transtorno depressivo em adolescentes: tratar com antidepressivos, psicoterapia ou os dois?

Apoio e atendimento em saúde mental

Adolescentes, responsáveis ou qualquer pessoa com pensamentos de acabar com a própria vida devem buscar acolhimento em sua rede de apoio, como familiares, amigos e educadores, além de recorrer a serviços de saúde.

O Ministério da Saúde orienta que é fundamental conversar com alguém de confiança e não hesitar em pedir ajuda profissional.

Entre os serviços disponíveis para atendimento estão os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), as Unidades Básicas de Saúde (UBS), as Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), prontos-socorros e hospitais. Também é possível buscar apoio gratuito pelo Centro de Valorização da Vida, pelo telefone 188.

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Gabriela Costa

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