A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 30 de setembro de 2026 orientações sobre doenças relacionadas ao calor em eventos de massa. O material divulgado pela entidade destaca o atendimento médico no local e o controle do estresse térmico.
O conjunto integra a iniciativa Beat the Heat que reúne três revisões sistemáticas, com 54 estudos. O foco são espectadores, voluntários e trabalhadores, e não atletas.

Mais de 90% dos pacientes recebem atendimento médico no local
A primeira revisão, com 36 estudos publicados entre 1980 e 2025, registrou quase meio milhão de atendimentos. Cerca de 22 mil foram doenças relacionadas ao calor, o que reforça o peso do calor na morbidade desses eventos.
Entre os atendimentos por todas as causas, 91,6% foram manejados no próprio evento e 0,9% exigiram transferência hospitalar. Isso pode aliviar substancialmente hospitais e ambulâncias.
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Guia combina medidas em camadas contra o estresse térmico
O guia propõe combinar resfriamento, água potável, ajuste de horários, fluxo de público e proteção de trabalhadores. Comunicação de risco, vigilância em tempo real e resfriamento para suspeita de insolação completam o pacote. O material divulgado pela OMS acompanha também uma planilha para avaliar o risco de calor antes e durante o evento.
Quanto à segunda revisão, com 10 estudos, avaliou vigilância em tempo real, sensores vestíveis e modelos preditivos. Essas tecnologias podem antecipar a detecção de risco, mas foram testadas sobretudo em pilotos pequenos.
Larissa Oenning, médica da Afya, explica que “a equipe médica deve reforçar cuidados simples, como hidratação, proteção contra o sol e o calor, pausas em locais frescos e atenção aos primeiros sinais de mal-estar, como tontura, fraqueza, dor de cabeça, náuseas, cãibras e confusão mental. Acompanhar a previsão do tempo e conhecer o perfil do público antes do evento também ajuda a identificar riscos e preparar uma boa estrutura de atendimento.”
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Por que eventos de massa ampliam o risco à saúde?
Exposição prolongada ao ar livre, multidões densas e acesso restrito a água segura ampliam o risco térmico. Estresse de viagem, clima pouco familiar e demanda concorrente por serviços de saúde agravam o quadro.
Larissa acrescenta ainda que “a presença de uma estrutura adequada e do atendimento médico no local é fundamental em eventos de massa, permitindo o reconhecimento precoce e o manejo inicial dessas doenças relacionadas ao calor. O tratamento oportuno de casos leves e moderados pode evitar sua progressão para quadros graves e reduzir encaminhamentos desnecessários ao hospital, contribuindo para diminuir a sobrecarga dos serviços de emergência.”
A terceira revisão mostrou uma lacuna entre conhecimento e comportamento protetor. Muitos participantes reconhecem o perigo, mas nem sempre se protegem ou buscam atendimento a tempo. Nesse sentido, para a OMS, estimular a hidratação não basta sem disponibilidade de água, resfriamento e rotas acessíveis no evento.
O levantamento não encontrou estudos sobre triagem prévia de vulneráveis ou alertas vestíveis ligados a protocolos de resposta. Em geral, grupos de alto risco só são identificados quando já apresentam doenças relacionadas ao calor. Por isso, os dois temas figuram entre as prioridades de pesquisa para eventos de massa.
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Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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