Foi publicada na Revista Nature a descoberta de um conjunto inédito de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que poderiam permitir a criação de uma vacina universal contra a malária, gerando proteção especialmente para infecções por P. falciparum e P. vivax, e atuando em várias fases da doença.
Esse estudo, desenvolvido por pesquisadores da Fiocruz, buscou entender como o sistema imunológico reconhece o parasita causador da malária, investigando o papel dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir diretamente as células infectadas.
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Sobre o estudo
Na primeira etapa da investigação, os cientistas identificaram os peptídeos na superfície das células infectadas e reconhecidos pelos linfócitos T CD8+, usando uma técnica de imunopeptidômica para mapear os antígenos apresentados ao sistema imune. O estudo identificou 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita.
Depois dessa identificação inicial foram mapeadas as origens desses fragmentos e a maioria deles era de proteínas housekeeping (responsáveis por funções básicas e indispensáveis para o parasita), estáveis e presentes em diferentes fases da infecção.
Como essas proteínas são necessárias no ciclo de vida do parasita e costumam se manter entre diferentes espécies, uma vacina que foque nesses alvos tem mais chances de funcionar de forma universal, ao contrário de vacinas cujos alvos são proteínas mais associadas à virulência, que mais variáveis ao longo do ciclo e entre espécies.
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Após a seleção, os cientistas testaram a resposta do sistema imune a esses peptídeos e os resultados mostraram que as células de pacientes infectados tanto por P. vivax quanto por P. falciparum e em outras três espécies de Plasmodium reagiram aos antígenos identificados. Segundo os pesquisadores, não só ocorreu o reconhecimento como foram observados indícios de proteção.
Importância da descoberta para o combate à malária
Os imunizantes atuais contra a malária têm como alvo, principalmente o P. falciparum e atuam na fase inicial da infecção, possuindo eficácia parcial e que diminui com o tempo. Esse estudo mostra um caminho mais eficaz para o combate à doença, uma vacina capaz de atuar em múltiplos estágios, tanto no fígado quanto no sangue, e eficaz contra diferentes espécies.
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