As ações emergenciais do Ministério da Saúde na Terra Indígena Yanomami têm apresentado resultados expressivos. Segundo o Informe nº 9 do Centro de Operações de Emergências Yanomami (COE), divulgado no dia 8 de abril, houve redução de 80,8% nos óbitos por malária entre 2023 e 2025.
O avanço é acompanhado pela ampliação da testagem: o número de exames saltou de cerca de 145 mil para mais de 2,5 milhões no período, com aumento de 75,9% na detecção ativa de casos.
Queda da desnutrição e melhora na vacinação
Os indicadores nutricionais também mostram melhora significativa. As mortes por desnutrição caíram 53,2%, enquanto o percentual de crianças menores de cinco anos com peso adequado subiu de 45,4% para 53,8%. A cobertura de acompanhamento infantil também cresceu, passando de 70,1% para 85,1%.
A desnutrição grave apresentou recuo consistente: a proporção de crianças com muito baixo peso caiu de 24,2% para 15,2%.
Na imunização, houve aumento de 40% no número de doses aplicadas. A cobertura vacinal completa em crianças menores de um ano mais que dobrou, chegando a 60,6% em 2025. Entre menores de cinco anos, o índice subiu para 78,3%.
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Ampliação da assistência e infraestrutura
O fortalecimento da rede de atenção é outro destaque. O número de profissionais de saúde atuando no território mais que triplicou desde o início da emergência sanitária, passando de 690 para mais de 2.130 trabalhadores.
Na infraestrutura, foram realizadas 261 intervenções em sistemas de abastecimento de água e instalados mais de 1.400 filtros, além da implantação de 61 sistemas de energia solar e melhorias em unidades de saúde.
O Centro de Referência em Saúde Indígena de Surucucu, em funcionamento há seis meses, já realizou mais de 4,3 mil atendimentos, incluindo exames laboratoriais e de imagem, atendendo 48 comunidades.
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Redução de óbitos evitáveis
Embora os atendimentos por infecções respiratórias tenham aumentado, reflexo da ampliação do acesso, a letalidade caiu 76% e os óbitos reduziram 16,7%.
Os dados indicam avanço consistente na redução de mortes evitáveis e no fortalecimento da atenção integral à saúde indígena, com foco em cuidado contínuo, prevenção e respeito às especificidades culturais.
*Este artigo foi revisado pela equipe médica do Portal Afya.
Autoria

Roberta Santiago
Roberta Santiago é jornalista desde 2010 e estudante de Nutrição. Com mais de uma década de experiência na área digital, é especialista em gestão de conteúdo e contribui para o Portal trazendo novidades da área da Saúde.
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