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Saúde22 outubro 2026

Insônia está associada a maior risco de AVC, demência e depressão, aponta revisão

O que a insônia sinaliza na avaliação clínica? Estudo quantifica associações com AVC, internações e depressão e aborda a atuação médica.
Por Bruna Lupp

Uma revisão guarda-chuva publicada em setembro de 2026 na Sleep Medicine Reviews relacionou insônia à AVC e hospitalização, demência e depressão, além de comportamento suicida. Os autores reuniram estudos de coorte para examinar desfechos posteriores, sem demonstrar causalidade.

A investigação reuniu 16 revisões sistemáticas com metanálises e realizou análises adicionais sobre AVC, acidentes ocupacionais e hospitalizações. Os estudos incluíram participantes de diferentes faixas etárias, principalmente da população geral, além de pacientes acompanhados em serviços de saúde e indivíduos identificados em registros administrativos. 

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Estudos associam AVC e hospitalização à insônia

Nas análises, os pesquisadores compararam pessoas com e sem insônia, acompanhadas em estudos de coorte prospectivos e retrospectivos. A exposição podia ser identificada por diagnóstico, entrevista ou questionário com pelo menos duas dimensões da insônia

As revisões deveriam incluir coortes com, pelo menos, 100 participantes por estudo, predominando pesquisas da população geral. Foram excluídas revisões sem metanálise e aquelas baseadas em estudos transversais ou caso-controle; não se exigiu duração mínima de três meses. O artigo não apresenta uma lista uniforme de exclusões individuais, pois sintetiza pesquisas com critérios próprios.

Para AVC, a revisão identificou nove estudos, com 1,34 milhão de participantes. A metanálise encontrou uma associação entre insônia e maior ocorrência de AVC (HR 1,26; IC 95%: 1,05–1,53), embora a magnitude dessa associação tenha variado entre os estudos. 

Em relação às hospitalizações por qualquer causa, foram identificados cinco estudos, com 517.620 participantes. A metanálise, que reuniu três desses estudos, mostrou chances 28% maiores de internação entre pessoas com insônia (OR 1,28; IC 95%: 1,14–1,43). 

Saiba mais: CBN 2024: Atualizações de tratamento da insônia

Como demência e depressão se relacionam à insônia?

Para demência, as revisões incluíram entre 36.005 e 3.115.942 participantes, com acompanhamento de dois a 40 anos.Uma das metanálises identificou associação entre insônia e maior risco de demência (RR 1,27; IC 95%: 1,16–1,39), embora os resultados tenham variado entre as análises. 

Em relação à depressão, uma revisão com 133.033 participantes encontrou chances aproximadamente três vezes maiores de desenvolver a condição entre pessoas com insônia (OR 3,09; IC 95%: 1,78–5,36). 

O que os achados representam para a prática médica? 

Os autores recomendam considerar a insônia persistente um sinal de atenção à saúde cerebral e mental. Citam a terapia cognitivo-comportamental como primeira linha; não comprovaram prevenção desses desfechos pelo tratamento.

Embora a terapia cognitivo-comportamental para insônia seja recomendada como tratamento de primeira linha, a revisão não demonstrou que tratar o distúrbio previna AVC, demência ou depressão. 

O estudo sobre insônia recebeu financiamento da European Academy of Neurology e apoio independente de Idorsia, Jazz Pharmaceuticals e Takeda. Ulf Kallweit declarou participação em conselhos consultivos de Bioprojet, Pharmanovia e Takeda; os demais autores negaram conflitos.

Autoria

Foto de Bruna Lupp

Bruna Lupp

Editora de Conteúdo Sr. Formada em Letras pela UFRJ e pós-graduada em Gestão de Projetos. Atuante na produção de conteúdo médico há 10 anos.

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