Pesquisadores do Beth Israel Deaconess Medical Center e do Google avaliaram o uso de inteligência artificial na atenção primária em um estudo publicado na The Lancet em 8 de outubro de 2026. A pesquisa acompanhou atendimentos ambulatoriais urgentes em Boston, nos Estados Unidos, para investigar a segurança e a qualidade das conversas entre pacientes e um sistema de IA.
O estudo prospectivo incluiu 114 participantes, dos quais 98 concluíram a interação com a ferramenta e a consulta programada. Antes do atendimento, os pacientes conversaram por texto com o sistema AMIE, que levantava hipóteses diagnósticas e organizava informações para avaliação posterior pelo profissional de saúde.

Como foi avaliada a segurança do paciente?
Médicos acompanharam todas as conversas em tempo real e poderiam interrompê-las diante de riscos predefinidos. Nenhuma interação exigiu interrupção por esses critérios. Entretanto, os supervisores identificaram uma informação incorreta produzida pela IA e precisaram acrescentar esclarecimentos clínicos em cinco casos.
O sistema não acessava o prontuário nem realizava exame físico. Assim, os resultados de segurança se aplicam ao cenário estudado, com pacientes selecionados, uma única queixa e supervisão médica contínua.
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IA conversacional contribuiu para preparar consultas
Dos profissionais que responderam ao questionário e haviam consultado os registros da IA, 33 de 44 (75%) consideraram as informações úteis para preparar a consulta. Em 25 de 44 casos (57%), relataram que a ferramenta poderia ter modificado sua conduta durante o atendimento.
Na avaliação diagnóstica, a hipótese principal da IA coincidiu com o diagnóstico de referência em 55 dos 98 casos (56%). Quando consideradas as sete primeiras hipóteses, a correspondência chegou a 88 casos (90%). Esses resultados não demonstram superioridade diagnóstica sobre os médicos.
Os profissionais de saúde responderam aos questionários em 60 dos 98 casos analisados. Em 44 deles, os profissionais haviam consultado a transcrição ou o resumo produzido pela IA antes do atendimento. Nesse grupo, 33 (75%) consideraram a ferramenta útil para preparar a consulta, enquanto 25 (57%) relataram que ela poderia ter influenciado sua atuação clínica.
A qualidade das conversas também recebeu avaliações positivas. Entre os médicos avaliadores, os resultados favoráveis variaram de 87% a 100% dos casos, conforme os 17 critérios analisados. Na avaliação dos pacientes, os percentuais variaram de 48% a 96%, considerando 16 critérios. Além disso, a percepção dos participantes sobre o uso da inteligência artificial melhorou após a interação com o sistema e permaneceu mais favorável depois da consulta médica.
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Supervisão médica continua indispensável
Os autores ressaltam que a pesquisa envolveu um único centro, número limitado de participantes e ausência de grupo comparador. Também ficaram de fora gestantes, pessoas com queixas de saúde mental e pacientes que necessitavam de atendimento emergencial.
Portanto, a inteligência artificial na atenção primária mostrou viabilidade inicial como apoio à conversa clínica, mas não substitui o médico. O estudo não comprova segurança para diagnóstico, triagem ou tratamento autônomos. Ensaios futuros precisarão avaliar resultados para os pacientes, riscos diagnósticos e a supervisão necessária.
Este conteúdo foi elaborado com auxílio de inteligência artificial com supervisão e revisão da Equipe Afya.
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